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Prof. Dr. Wellington Lunz
Professor de Universidade Federal (UFES)
Doutor em Ciências Fisiológicas
Mestre em Ciências da Nutrição
Bacharel e Licenciado em Educação Física

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- Quando Voltar ao Treino? Considere a Amplitude Articular
Resumo : a maioria sabe prescrever treino para hipertrofia. Mas isso não garante o sucesso hipertrófico. O segredo do sucesso hipertrófico está em saber identificar quando se deve reestimular o músculo. Ou seja, após uma sessão de treino, quando treinar novamente? Este é quarto de seis posts onde ensino quais são os MARCADORES que devemos usar para julgar se o músculo deve ser treinado novamente. Um desses marcadores é a 'amplitude articular ou mioarticular'. No post Aprenda a identificar o momento de treinar novamente eu introduzi a importância de se compreender o momento certo de treinar novamente. Eu concluí o post dizendo que existem pelo menos 5 marcadores para essa tomada de decisão, mas uso apenas 4 deles. Já escrevi sobre dois deles ( aqui e aqui ), e hoje falarei rapidamente do terceiro marcador. Trata-se da ‘amplitude articular restabelecida'. Após uma sessão de treino é comum ocorrer diminuição da amplitude articular. E o comportamento curso-temporal da recuperação pós-perda da amplitude articular é muito similar ao que ocorre com a força muscular ( Peake et al., 2017 ). É exatamente por esse comportamento similar que se infere que o comportamento da amplitude articular possa ser usado para inferir a condição do músculo treinar novamente. Por exemplo, se uma pessoa treinou supino, o qual envolve dinamicamente as articulações do ombro, cotovelo e cintura escapular, deve-se voltar a treinar apenas quando a flexibilidade dessas articulações estiver restabelecida. Como carecemos de evidência direta disso, penso que a sondagem direta da força muscular, como descrevi em um post anterior ( aqui ), seja, por ora, um marcador mais valioso. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz De qualquer modo, testar a amplitude articular é interessante, porque, se houver danos teciduais ainda não recuperados, certamente esse alongamento muscular provocará dor ou desconforto, a qual, como dito no post anterior ( aqui ), deve-se respeitar. Aliás, aproveito para reforçar que esses marcadores que estou citando não precisam ser usados de forma isolada. Pode-se ( e provavelmente seja mais confiável ) usar mais de um para tomar decisão. Por exemplo, pode-se primeiro verificar se a pessoa está com dor espontânea. Caso não, pode-se fazer alongamento muscular para identificar se a pessoa sente dor antes de alcançar sua amplitude articular normal. Às vezes, a pessoa não sente nem dor espontânea e nem estimulada, o que poderia ser sugestivo de recuperação. Entretanto, se ela não conseguir produzir a mesma força nos exercícios de sondagem ( falei sobre nesse post aqui ), sugere que a recuperação ainda não foi plena. Minha sugestão é que você avalie esses marcadores do mais simples para o mais trabalhoso. E outro marcador simples é o que explicarei no próximo post, o qual podemos chamar de ' recuperação percebida '. O Prof Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficerre de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Quando treinar novamente? Considere a amplitude articular. Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/quando-treinar-o-musculo-novamente [ Acessado em __.__.____]. Segue agora algumas questões e respostas resumidas: A amplitude articular serve como sinal de recuperação? Sim, porque a perda de amplitude articular está associada aos danos musculares e danos do tecido motor passivo ( ex: tendões, ligamentos, cápsulas, bursas, etc. ). Quando treinar o mesmo músculo de novo? Não existe um tempo fixo. Dependerá da recuperação do desempenho, microlesões, dor e amplitude articular, e do status da recuperação percebida. Amplie seu conhecimento sobre o assunto lendo esse post aqui . Qual critério usar para decidir quando treinar o mesmo músculo novamente? Os marcadores mais indicados são: recuperação do desempenho, das microlesões, da dor e da amplitude articular, e o status da recuperação percebida. Amplie seu conhecimento sobre o assunto lendo esse post aqui . Quando devo retomar ao treino? Quando estiver completamente recuperado. E para saber quando está recuperado, alguns marcadores são fundamentais, como: recuperação do desempenho, microlesões, dor e amplitude articular, e do status da recuperação percebida. Amplie seu conhecimento sobre o assunto lendo esse post aqui . Pode-se treinar outro grupo muscular enquanto espera a recuperação? Sim, desde que a musculatura não recuperada não faça parte da programação do treino. Treinar com dor muscular tardia (DOMS) é aceitável? Não há qualquer evidência que mostre que treinar com dor seja positivo para qualquer coisa. O contrário é mais provável. A dor é um mecanismo fisiológico de proteção, exatamente porque, invariavelmente, motiva a ação de afastamento da causa da dor. E no âmbito da hipertrofia muscular, temos evidência de que danos musculares ( causa provável das dores ) prejudicam os ganhos de massa muscular. Clique aqui e acesse videoaulas no ' Canal Prof. Wellington Lunz'. Acesse outras postagens do blog : O que EMAGRECE é o músculo, estúpido! Quais os tipos de hipertrofia? Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Medicamento anti Obesidade: Promessa de Revolução (ano: 2025)
Resumo : o estudo BELIEVE, apresentado no congresso ADA 2025, mostrou que a combinação de bimagrumab e semaglutida pode revolucionar o tratamento da obesidade. Promove perda impressionante de gordura corporal com preservação da massa muscular. Entenda por que esse avanço supera estudos anteriores e seus possíveis impactos sociais. Prof. Dr. Wellington Lunz - Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Em junho de 2025, no congresso da American Diabetes Association ( ADA ), foram apresentados resultados impressionantes do estudo BELIEVE. Sugerem uma revolução no tratamento da obesidade. Não estive no congresso, mas há muita gente falando sobre o que o estudo BELIEVE apresentou. Vou explicar: O Bimagrumab Como Promessa Inicial Alguns meses atrás, publiquei um post detalhado aqui no meu Blog sobre o medicamento bimagrumab ( ou bimagrumabe, como estão chamando ), disponível neste link. Na ocasião, destaquei os resultados do estudo publicado por Heymsfield et. al , em 2021, na prestigiada revista JAMA . Nesse estudo, de fase clínica 2, pacientes com obesidade e diabetes tipo 2 que receberam o medicamento bimagrumab durante 48 semanas apresentaram redução muito significativa de gordura corporal ( −20,5% ) e, ao mesmo tempo, aumento de massa magra ( +3,6% ), além de melhora no controle glicêmico. Esses resultados ( relativos ) foram muito impressionante, principalmente porque, ao contrário de outros medicamentos e intervenções ( ex: cirurgia bariátrica ) que causam grande perda de massa muscular, o bimagrumab não somente reduziu gordura corporal, mas também aumentou a massa muscular. No entanto, a perda de peso corporal total foi de ~6,5%, valor que, somado a outras exigências da FDA, não foi considerado suficientemente expressivo para aprovação pela FDA ( agência reguladora dos Estados Unidos ). Na época, os autores reclamaram dos critérios da FDA, porque a agência considera o peso corporal, e não somente gordura corporal. De fato, se um medicamento reduz gordura e aumenta massa muscular ao mesmo tempo, o peso pode não mudar tanto. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz O Estudo BELIEVE: Por que Ele é Mais Animador? Agora, o estudo BELIEVE , que testou o bimagrumab somado a outra droga ( falarei abaix o), foi apresentado no congresso da ADA, e trouxe resultados mais impressionantes: a perda de peso foi muito maior (~22%), além de ter conseguido preservar a massa muscular. O impacto clínico recoloca o bimagrumab no centro das atenções. Veja as principais diferenças entre o estudo de Heymsfield et al. (2001) e o Estudo BELIEVE: O estudo de Heymsfield et al. (2001) usou somente Bimagrumab (10 mg/kg). Já o BELIEVE comparou diferentes estratégias, incluindo a combinação do 'Bimagrumab + Semaglutida'. A Semaglutida é um agonista GLP‑1 que atua principalmente na supressão do apetite. E o Bimagrumab é um anticorpo do receptor activina II (expliquei no meu post ). A duração do estudo de Heymsfield et al. (2001) foi de 48 semanas, e no BELIEVE parece que foi de 72 semanas. A amostra do estudo BELIEVE foi de ~500 pessoas, enquanto no estudo de Heymsfield et al. (2001) foi de ~75 pessoas ( e só 58 concluíram ). E os RESULTADOS : Redução de 6,5% do peso corporal no estudo de Heymsfield et al. (2001) e 22% de redução no estudo BELIEVE. No estudo de Heymsfield et al. (2001) houve ganho de massa muscular. No estudo BELIEVE, a perda de massa muscular foi muito pequena, pois 93% da perda de peso foi de gordura. Vale muito destacar que terapias com outras drogas ou via cirurgia bariátrica costumam gerar perda de ‘~1kg de massa muscular para cada ~3 kg de massa gorda’. Ou seja, ~25% da perda de peso é muscular. No estudo de Heymsfield et al. (2001) houve redução média de ~7,5 kg de gordura, sendo que cerca de pouco mais de 30% disso foi gordura visceral. E reduziu 9 cm da cintura. O estudo BELIEVE, considerando a combinação das drogas, reduziu ~19 kg de gordura ( isso varia dependendo do peso inicial ). E parece que mais de 50% disso foi de gordura visceral. Não encontrei informação sobre perimetria da cintura, mas certamente foi grande. O estudo BELIEVE gerou perda de peso corporal suficiente para ser aprovada pela FDA, de modo que muito provavelmente não demorará para estar no mercado. Não só isso: essa perda de peso não é tão diferente da perda de peso induzida por bariátrica, a qual é uma cirurgia de grande porte. O estudo de Heymsfield et al. (2001) era fase 2a, e o estudo BELIEVE já está na fase 2b. Parece que, atualmente, a aprovação ocorre na fase 3, já que a fase 4 é pós-comercialização. O Prof Wellington Lunz apoia e recomenda o Instituto Afficere. Agende sua consulta nutricional. Nem Tudo São Flores Qual será o preço desse medicamento? Ninguém sabe ainda dizer, mas, considerando o tamanho do investimento da farmacêutica responsável, isso custará muito caro. E mais: é um tratamento de longo prazo. Portanto, mesmo se não produzir efeitos adversos importantes, haja grana para sustentar a compra pelo resto da vida ( exceto se o/a paciente passar por uma reeducação alimentar com nutricionista ). Será o Fim dos Profissionais de Educação Física e Nutrição? Claro que não! Explico: Primeiro, o exercício físico nunca foi a melhor estratégia para reduzir gordura corporal. Nas terapias para reduzir peso gordo, o exercício físico sempre foi mais importante para preservar a massa muscular. Segundo, e mais importante: para eu narrar a quantidade de benefícios para a saúde induzidos pelo exercício físico exigiria um post só para isso. Não há remédio que substitua todos os efeitos do exercício físico. O inverso, sim, é verdadeiro. Em relação aos profissionais da Nutrição, a lógica é similar. A Nutrição é uma área de promoção de saúde e qualidade de vida. É muito mais que reduzir gordura corporal. Possui muitas subáreas essenciais, como a nutrição clínica ( ex: oncológica, renal, gastrointestinal, endócrina, etc. ), hospitalar, materno-infantil, geriátrica e menopausa, saúde coletiva, esportiva, industrial, etc. Além disso, tenho certeza de que nenhum profissional da área de Nutrição se alegra em prescrever dietas restritivas. A felicidade de nutricionistas está em prescrever uma alimentação nutritiva ( saudável ), conciliada à cultura local, à afetividade familiar e aos prazeres gastronômicos ( e isso nenhum remédio substitui ). Aliás, enquanto escrevo esse post, estou fazendo o pão que minha filha ama. Ah, convenhamos, nada para minha filha substitui o pão que o pai faz para ela; nada, para mim, substitui a alegria de ver minha filha comendo o pão que fiz. Não há remédio que substitua a magia disso. Portanto, nutricionistas que viabilizam momentos como estes, estão mais próximos do metafísico que do físico. Somado a isso, quem não se propuser a uma educação nutricional para melhorar seus hábitos alimentares, se tornará refém da indústria farmacêutica. E aí, haja dinheiro e haja resistência fisiológica para os efeitos colaterais da droga. Aproveitando , se deseja ou precisa de acompanhamento nutricional para preservar ou melhorar sua saúde e qualidade de vida, clique no banner abaixo, que você será direcionado para duas nutricionistas de altíssimo nível (MSc e PhD). Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lembrando que a maioria de minhas postagens são sobre treinamento físico, em especial direcionado para hipertrofia muscular. Há quase uma centena de posts. Caso queira citar meu post, segue: Lunz, W. Medicamento Promete Revolução no Tratamento da Obesidade: 'Bimagrumab vs. Estudo BELIEVE' . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/medicamento-para-o-tratamento-da-obesidade [ Acessado em:____]. Segue agora um resumo de questões e respostas associadas a esse post: O que é o estudo BELIEVE? Um ensaio clínico de fase 2b, randomizado e duplo-cego, apresentado no congresso ADA em junho de 2025. Avaliou o uso de bimagrumab, com ou sem semaglutida, em ~500 adultos com IMC ≥30 ou ≥27 com comorbidades, ao longo de 72 semanas. Quais os principais resultados do estudo BELIEVE? A combinação bimagrumab+semaglutida reduziu o peso corporal em (média) 22,1% , com 92,8% da perda vindo de gordura , preservando, portanto, quase completamente a massa magra. O que é o bimagrumab? É um anticorpo monoclonal de primeira classe que bloqueia receptores activina II, estimulando o aumento de massa muscular e redução de gordura corporal ao mesmo tempo. O que é a semaglutida? Um agonista do receptor GLP‑1 , usado para tratamento da obesidade e diabetes, que age, principalmente, reduzindo o apetite. O bimagrumab já está disponível nas farmácias? Não. Até agora, foi testado em fase clínica 2 e ainda não recebeu aprovação da FDA. O estudo BELIEVE mostrou resultados robustos e poderá iniciar a fase 3 em breve, mas o medicamento ainda não está nas farmácias. Acesse outras postagens do blog : Como emagrecer comendo mais Por que não consigo ganhar massa muscular? O que EMAGRECE é o músculo, estúpido! Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Também tem um canal no YouTube : ( youtube.com/@prof.wellingtonlunz ) onde transmite conhecimentos baseados em evidência de diferentes áres (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site, e-mail: welunz@gmail.com.br
- Quando Treinar o Músculo Novamente? Considere a 'Recuperação Percebida'
Resumo : a maioria sabe prescrever treino para hipertrofia. Mas isso não garante o sucesso hipertrófico. O segredo do sucesso hipertrófico está em saber identificar quando se deve reestimular o músculo. Este é o quinto de 6 posts onde ensino quais são os MARCADORES que devemos usar para julgar se o músculo deve ser treinado novamente. Um desses marcadores é a 'Recuperação Percebida'. No post Aprenda a identificar o momento de treinar novamente eu introduzi a importância de se compreender o momento certo de treinar novamente. Trata-se da coisa mais importante no treinamento para hipertrofia muscular. Concluí aquele post dizendo que existem pelo menos 5 marcadores para essa tomada de decisão, mas que eu uso 4 deles. Falarei hoje exatamente do quarto marcador: ' status da recuperação percebida '. Os posts dos três primeiros marcadores você encontra aqui , aqui e aqui . O uso de escalas analógicas ( ex: '0 a 10' ou '0 a 100' ) tem sido muito usual para medidas psicométricas, no intuito de entregar alguma objetividade em parâmetros subjetivos e, frequentemente, multi-influenciados. A escala de percepção de esforço de Borg, proposta por Gunnar Borg, é uma dessas. Outra escala, derivada da escala de Borg, é a de OMNI. Há também escala analógica de dor, com medidas entre 0 e 10. Ninguém questiona o fato de o esforço físico ser mentalmente percebido, e que essa relação é ascendente: quanto mais intenso o exercício, maior é o esforço percebido. Partindo-se dessa lógica, embora não seja ausente de críticas, passou-se também a se medir subjetivamente a prontidão do corpo para treinar. Há inclusive quem há tempos ( Kiely, 2012 ) defende firmemente que em vez de se usar as clássicas periodizações de treino ( ex: linear, ondulatória, etc. ), a progressão do treino deveria se concentrar basicamente nas capacidades responsivas ( ex: desempenho físico ) e sensitivas ( ex: percepção da recuperação ). Ou seja, considerando-se uma escala de percepção da recuperação de 0 a 10, onde 0 seria 'nada recuperado' e 10 seria 'totalmente recuperado', pode-se inferir a prontidão para treinar novamente. É o que Laurent et al . testaram em 2011, embora não no âmbito da hipertrofia ou treinamento de força. Veja: Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Os participantes realizaram quatro sessões de sprints intermitentes de alta intensidade, separadas por 24, 48 e 72h de recuperação. Antes de cada nova sessão de sprint , os participantes indicavam seu nível de recuperação, usando uma escala de percepção da recuperação de 0 a 10. Os autores encontraram correlação indicando que níveis mais baixos de recuperação percebida estavam associados a um pior desempenho. E níveis mais altos de recuperação percebida estavam associados a um melhor desempenho. De modo geral, participantes com percepção da recuperação > 5 tiveram maior probabilidade de melhorar seu desempenho, enquanto < 5 esteve associado a um desempenho pior. A escala permitiu prever o desempenho subsequente em cerca de 80% dos casos. Esse resultado indica que nós temos razoável capacidade de perceber se estamos ou não recuperados. Ahtiainen et al. , também em 2011, viram que a curva de comportamento da ‘ percepção subjetiva da recuperação da prontidão ’ para treinar foi similar ao comportamento da recuperação da força. Ou seja, após uma sessão de treino, o desempenho de força diminui e vai se recuperando nos dias seguintes. O mesmo acontece com a percepção da prontidão para treinar. A diferença foi na cinética, pois a percepção da prontidão precisou de mais tempo para se recuperar. Como a cinética não é exatamente igual, fica a dúvida qual seria o melhor marcador para retreinar: recuperação da força ( como expliquei aqui ) ou a percepção subjetiva da prontidão? Posso antecipar que ainda precisamos de mais estudos relacionados ao treinamento para hipertrofia muscular, pois o desfecho hipertrofia tem causa multifatorial. Ainda que não seja uma ferramenta com evidências diretas para o âmbito do treinamento de hipertrofia muscular, mas considerando que é simples, rápida e não invasiva, interpreto que devemos colocar a 'percepção subjetiva da recuperação' na caixa de ferramentas de monitorização da recuperação. Mas, claro, essa inferência não é só um ' eu acho '. Há certa base científica para essa minha sugestão, ainda que limitada. Um estudo muito interessante, que mereceria um post só para ele, é o de Gomes et al. (2022) . Já antecipo a interpretação desse estudo: ' se você considerar só os resultados estatísticos, a percepção de esforço é tão boa quanto a progressão fixa. Mas se você considerar o tamanho de efeito, aí pode ficar na dúvida '. Vou resumir o estudo: Eles investigaram duas condições: um grupo de participantes que treinou com uma progressão fixa ( grupo PP ) e outro grupo que treinou com progressão determinada pela percepção de esforço ( 0 a 10 ) ( grupo RPE ). A frequência de treino era sempre de duas vezes semanais. O grupo PP treinou da seguinte forma: 2 séries de 12-15RM nas semanas 1 e 2 ( protocolo A ); 4 séries de 8-10RM nas semanas 3 e 4 ( protocolo B ); 6 séries de 4-6 nas semanas 5 e 6 ( protocolo C ). Ou seja, a carga de treino progrediu de forma pré-estabelecida. A progressão do grupo RPE dependia da percepção de esforço: Se a percepção de esforço do participante fosse ≤5, eles aumentavam a carga de treino ( do protocolo A para o B; ou do B para o C ). Se a percepção de esforço fosse 6–8, eles mantinham a carga do treino ( mesmo protocolo ). Se a percepção de esforço fosse ≥9 em duas sessões seguidas, reduziriam a carga de treino ( mas essa não chegou a acontecer ). Uma diferença da maioria dos estudos é que eles mediram a percepção de esforço logo após cada treino, e não antes de iniciar ou durante a sessão. Eles investigaram pessoas bem treinadas ( 4,8 a 6,1 anos de experiência ). Mas a duração da intervenção foi curta ( 6 semanas ). Ao final do estudo, os ganhos de força e hipertrofia foram estatisticamente similares nos dois grupos. Os resultados médios para hipertrofia são descritos no resumo ( RPE = 6,5 vs. PP = 9,6 ). Embora sem diferença estatística, foi numericamente maior para o grupo PP. E isso está bem refletido no tamanho de efeito de 0,49. Mas há uma coisa bem interessante que merece destaque adicional: o grupo RPE tendeu a fazer um volume de treino menor. Isso ficou mais evidente e interessante quando eles analisaram um subgrupo do grupo RPE ( chamado sub-REP ), no qual 6 dos 10 ( 60% ) participantes não progrediram durante as 6 semanas. Ou seja, 6 participantes mantiveram o protocolo A ( 2 séries de 12–15RM ) durante as 6 semanas de treino, pois sempre julgaram a percepção na faixa que mantinha a carga de treino. E apesar de realizarem um volume de treino menor ( ~14% ) e não terem progredido no treino, eles tiveram ganhos de força e hipertrofia similares ao grupo com progressão. O que ficou claro é que o uso da RPE para gerenciar a progressão do treino permite obter ganhos significativos de hipertrofia. É algo que funciona. Entretanto, embora não houve diferença estatística, o tamanho de efeito de 0,49 ( efeito moderado ) a favor da progressão fixa deixa dúvida se progredir pela RPE seria realmente melhor. Por outro lado, para o desfecho 'força muscular' o resultado numérico foi levemente maior para o RPE ( RPE = 9,7 vs . PP = 9,2 ). Portanto, para força muscular não há dúvida: a RPE funciona de igual para melhor. Mas os resultados revelam ainda duas outras coisas intrigantes: O Prof. Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficere de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. 1ª) Um protocolo com volume tão pequeno ( somente 4 séries semanais, como ocorreu no sub-grupo RPE ) conseguiu promover ganhos significativos de força e hipertrofia em pessoas treinadas ( aproveito para te convidar a, depois, ler meu post que fala sobre dose mínima para hipertrofia muscular ); 2ª) Ainda mais intrigante é que não houve necessidade de aumentar o volume de treino para promover hipertrofia muscular. Ainda que o grupo PP tenha tido resultados numericamente maiores de área de secção transversa, o estudo demonstra que é possível ganhar massa muscular "sem" progredir a carga de treino ( pelo menos até 6 semanas ). Esse resultado coloca em xeque a crença de que temos que frequentemente aumentar a carga de treino. Aparentemente, até 6 semanas "não" precisaria aumentar a carga de treino. Alías, por quanto tempo podemos treinar com a mesma carga de treino e ainda assim ter ganhos de hipertrofia? Ainda pretendo escrever sobre isso, mas já antecipo: são raríssimos os estudos que investigaram esse problema. Mesmo nesse estudo de Gomes et al. (2022) , no subgrupo de 6 pessoas, que manteve o protocolo A, pode ter ocorrido um leve aumento do volume, pois os participantes tinham que ficar sempre entre 12-15 RM. Por isso que previamente escrevi as palavras "sem" e "não" com as devidas aspas. Ou seja, pode ter ocorrido um leve aumento da carga para mantê-los dentro das 12-15 RM. Como o aumento da carga impõe mais estresse miotendineoarticular, trata-se de um resultado muito interessante, pois mostra que usar a RPE induz bons resultados com menos estresse. Mas volto agora ao estudo de Laurent et al . Embora não foi feito no âmbito do treinamento de força e hipertrofia, é provável que funcione, pois se alinha com resultados que temos no âmbito do treinamento de força. Sikorski et al. (2013) , por exemplo, encontraram ótima correlação ( r = -0,76, p <0,05 ) entre a percepção da recuperação e a concentração de creatina quinase ( o mais clássico marcador de lesão celular ) após 48h da sessão de treino. Ainda carecemos de estudos que confirmem ou refutem se, para um treino de hipertrofia eficiente, é realmente necessário treinar sempre acima da escala 5 proposta por Laurent et al , ou se o ponto de corte possa ser diferente. Recentemente, Barsuhn et al. (2025) mostraram que uma elevada progressão do volume ( até 60% ) não alterou a percepção de recuperação quando comparado ao grupo que não teve mudança no volume de treino. Isso indica que mesmo um grande aumento do volume pode não afetar expressivamente a percepção da recuperação. De qualquer forma, os resultados do estudo de Barsuhn et al. (2025) para hipertrofia não diferiram entre o grupo que manteve o volume vs. os grupos que tiveram volume aumentado em 30% ou 60%. Então, esse estudo não pode ser usado para descartar o uso da percepção da recuperação. Só daria para duvidar da eficácia da percepção da recuperação se os resultados de hipertrofia tivessem sido diferentes entre os grupos. Seja como for, mais estudos são necessários. Por ora, mais intuitiva que cientificamente falando, eu uso a escala de percepção de recuperação como estratégia para decidir se irei treinar ou se adiarei o treino. Não é a única ferramenta que uso. É uma ferramenta complementar. O Prof Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficerre de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. Há dias que percebo que meu corpo não está com disposição para treinar. Nesses dias, a percepção de recuperação costuma ser baixa. Tenho respeitado essa sinalização do corpo. Mas, em não havendo dores e nem amplitude articular reduzida, pode-se ir ao espaço de treinamento para confirmar se o corpo está recuperado, fazendo os exercícios de sondagem que sinalizei em post anterior ( aqui ). Ainda sobre o uso da percepção como ferramenta, há quem sugira outras formas de uso dessa percepção: Por exemplo, McNamara & Stearne (2010) investigaram efeitos na força e potência muscular de dois programas de treinamento: Um chamado de periodização não linear flexível ( FNL ) e o outro de periodização não linear tradicional ( NL ). O protocolo de treinamento foi igual, exceto pelo fato de que o grupo NL treinava sempre numa intensidade com ordem pré-estabelecida: 10RM, ou 15RM, ou 20RM. Já o grupo FNL podia escolher com qual intensidade treinar na sessão ( ou seja, 10RM ou 15RM ou 20RM ). Essa decisão era baseada no estado físico/psicológico. O estudo evidenciou ganhos de força no leg press bem superiores para o grupo FNL, mas sem diferença de força no supino e num teste de salto ( potência ). Mas uma crítica ao estudo é que, na verdade, o grupo FNL não tinha tanta liberdade assim, pois, para garantir o mesmo volume de treino, em algumas sessões os pesquisadores definiam a intensidade. Colquhoun et al (2017) também compararam essa periodização ondulatória flexível, proposta por McNamara & Stearne (2010) , em pessoas treinadas. Mas o resultado para o desempenho de força, bem como motivação e satisfação para o treino, não foi diferente do obtido com uma periodização ondulatória. Ambos promoveram ótimos resultados. A estratégia usada por McNamara & Stearne (2010) tem sido chamada de ' autorregulação do treino ' ou ' treino com autorregulação ' ( Greig et al., 2020 ). Ou seja, trata-se de um sistema de ajuste dinâmico e individualizado do treino, baseado no desempenho ou na percepção da capacidade de desempenho ( Greig et al., 202 0 ). Esses ajustes podem ser feitos antes, durante ou após a sessão. Ou, embora menos comum, até mesmo ao longo do programa de treino. Greig et al. (2020) sugerem que a autorregulação poderia: (1) melhorar a aderência ao treino, porque aumentaria a autonomia e sensação de controle do praticante; (2) reduzir o risco de overtraining , por adaptar o estímulo à condição real do praticante; (3) melhorar o desempenho, por alinhar o estímulo com a capacidade real do momento. Mas esses mesmos autores reconhecem que as evidências ainda são limitadas e inconsistentes, especialmente em atletas. A percepção de recuperação pode refletir mais flutuações de humor ou motivação do que a real capacidade física. Pode também induzir comportamentos compensatórios, como 'escolher treinos fáceis demais'. De fato, sobre essa última ponderação ( comportamentos compensatórios ), me lembro de ter lido um estudo que evidenciou exatamente isso. Ou seja, as pessoas optavam por cargas mais leves. Mas, se as reps forem máximas ou perto do máximo, certamente a autorregulação não irá prejudicar os resultados de hipertrofia. Isso ficará mais claro quando, no futuro, eu falar aqui no Blog sobre número de reps para hipertrofia muscular. Considerando tudo isso, dá para afirmar que a estratégia baseada na percepção de recuperação ou percepção de esforço gera, no mínimo, resultados similares a outras estratégias. Podendo ser mais eficiente, pois pode promover resultados similares com volume de treino menor ( menos tempo de exposição = menor risco ). Como também há estudos que sugerem que usar a percepção de recuperação ou de esforço possa até promover resultados melhores, então penso que usar tal ferramenta no processo decisório do 'quando retreinar' é algo que vale a pena. O Prof Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficerre de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . E, como habitual, em tempos de escritas por inteligência artificial (IA), vale dizer que essa postagem não usa IA... é feita exclusivamente das minhas leituras, práticas e interpretações ao longo da minha trajetória. Lunz, W. Quando Treinar o Músculo Novamente? Considere a 'Recuperação Percebida '. Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/status-da-recuperaçao-percebida [ Acessado em __.__.____]. Algumas questões e respostas resumidas relacionadas ao esse post: A 'percepção da recuperação' e 'percepção de esforço' são úteis para monitorar o treino? A estratégia baseada na percepção de recuperação ou de esforço gera resultados iguais ou superiores a outras estratégias. Podendo ainda ser mais eficiente, pois promove resultados similares com volume de treino menor ( menos tempo de exposição = menor risco ). Portanto, é uma ferramenta útil no processo decisório do 'quando retreinar'. O que é 'autorregulação do treino' ou 'treino com autorregulação'? Trata-se de um sistema de ajuste dinâmico e individualizado do treino, baseado no desempenho e/ou percepção da capacidade de desempenho. Há sugestões de que a autorregulação melhora a aderência ao treino, reduz o risco de overtraining e melhora o desempenho. Mas as evidências ainda são limitadas e inconsistentes, especialmente em atletas. Clique aqui e acesse videoaulas no ' Canal Prof. Wellington Lunz'. Acesse outras postagens do blog : Como emagrecer com musculação? Quais os tipos de hipertrofia? Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Musculação: Devo Usar Biomarcadores de Lesão Muscular?
Resumo : a maioria sabe prescrever treino para hipertrofia na musculação. Mas o segredo do sucesso hipertrófico está em saber identificar quando se deve reestimular o músculo. Este é o último de 6 posts onde ensino quais são os MARCADORES que devemos usar para julgar se o músculo deve ser treinado novamente. Os marcadores bioquímicos são sugeridos com um deles, mas não os recomendo na musculação de não atletas. Esse é o último post sobre o tópico ‘ quando treinar o músculo novamente ’. Como eu disse no post ‘ Aprenda a identificar o momento de treinar novamente ’, eu uso 4 marcadores para decidir quando exercitar novamente ( já fiz posts para todos eles: aqui , aqui , aqui e aqui ). Mas os ‘marcadores sanguíneos de lesão celular’ eu nem uso e nem recomendo como estratégia para essa tomada de decisão. E se 'marcadores sanguíneos de lesão celular’ não devem ser usados, para que serve esse post? Respondo: É para te mostrar que não há razão científica para usar marcadores sanguíneos de lesão celular no dia a dia do treinamento para hipertrofia muscular em espaços fitness habituais, como academias de musculação. Vamos à fundamentação: Nas últimas décadas, houve grande interesse por marcadores bioquímicos de lesão muscular, com a pretensão de usá-los como ferramenta para orientar o ‘quando treinar novamente’. Os principais são: creatina quinase ( CK ), mioglobina, cortisol, catecolaminas, marcadores do estresse oxidativo, lactato desidrogenase (LDH), transaminase glutâmico oxalacética ( TGO ), troponina I e interleucina-6. Apesar do esforço científico, a maioria desses marcadores não alcança a condição de ‘alto grau de recomendação’ para o objetivo aqui descrito. Muitos treinadores de atletas de alto rendimento têm usado principalmente a CK, que, creio, apesar das limitações, ainda é a melhor dentre as citadas. A CK é uma enzima intracelular, com isoformas diferentes para, principalmente, os músculos esquelético e cardíaco, e o cérebro. Como a CK é intracelular, seu aparecimento no sangue indica extravasamento celular que, quase sempre, significa lesão celular ( mas não toda lesão celular significa lesão do tecido contrátil... guarde isso! ). Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Nesse post irei tratar da isoforma muscular esquelética ( CK-MB ). As isoformas cardíaca e cerebral têm aplicações clínicas importantes, mas não têm relação com o treinamento físico de pessoas saudáveis. O uso da CK como guia para o ‘ quando treinar novamente ’ parece útil na avaliação de atletas de alto rendimento e para o diagnóstico de rabdomiólise, mas não para praticantes recreacionais de academias. Vou explicar ponto a ponto: Alta variabilidade intra e entre sujeitos A CK, mas também outros marcadores bioquímicos, variam muito intra sujeito e entre sujeitos, a depender da composição corporal, sexo, idade, etnia, genética e do protocolo de exercício ( tipo, intensidade e volume ) ( Warren et al., 1999 ; Byrne et al., 2004 ; Baird et al., 2012 ; Wernbom et al, 2020 ). A classificação da CK tem sido mais ou menos assim: normal: até 200 U/L; miopatia: > 2000 U/L ( há quem considere > 1000 ); rabdomiólise: > 10.000 U/L ( há quem considere > 5.000 U/L ). Lembrando que rabdomiólise ( degeneração severa da célula muscular ) é algo muito sério, que pode causar danos renais permanentes e até morte. Já vi trabalho científico dizendo que 10% dos casos de rabdomiólise evoluem para a morte. É muita coisa! E, nesse caso, a CK é bastante útil como marcador. Entretanto, rabdomiólise não é algo que possamos normalizar no pós-treinamento de praticantes recreacionais de academia de musculação ( não acho tolerável nem em atletas ). De qualquer modo, uma dica prática importante: ‘Se até ≈72h pós uma sessão de esforço físico, você ou seu cliente perceber urina escura ( tom marrom ou avermelhado ), corra para o hospital e diga a/o médica(o) que ocorreu após um treino físico vigoroso. Se você/cliente não disser que fez grande esforço físico, médicos/as poderão achar que é outra coisa. Se o(a) médico(a) não cogitar rabdomiólise, sugira com a questão: ‘ Não poderia ser rabdomiólise?’, pois , se for rabdomiólise, é bem provável que a você/cliente fique internado, pois os rins ( e até a vida ) estarão em risco’. Sobre esses valores de referência que citei acima, perceba que o normal fica abaixo de 200 U/L ( geralmente 20 a 200 ). Mas já vi estudos mostrando alguns casos, obviamente raros, que chegaram a 150 mil e 300 mil U/L. E isso dá uma boa dimensão de como pode variar. E essa variação pode gerar muita confusão. É por isso que a CK, no âmbito do treinamento atlético, tem sido usada basicamente para o acompanhamento intra-sujeito. Pois, com o tempo, é possível entender melhor o que é normal ou anormal para cada pessoa. O Prof. Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficere de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. Fraca correlação entre marcadores séricos de lesão e perda de desempenho Não há dúvida de que a perda de força muscular ocorre muito antes do aumento sérico ou plasmático de marcadores de lesão muscular, como a CK ( Warren et al., 1999 ; Baird et al., 2012 ). Normalmente é fraca a correlação entre perda de força e marcadores diretos ( Hesselink et al., 1996 ) ou indiretos ( ex: CK e mioglobina ) ( Warren et al., 1999 ) do dano específico de tecido contrátil. Há estudo evidenciando que a perda de força muscular pode ocorrer mesmo sem qualquer lesão celular ( Kano et al., 2008 ). Aliás, algo intrigante e, ao mesmo tempo, praticamente consensual, é que o aumento da CK na corrente sanguínea costuma ocorrer só após ≈24h ( Warren et al., 1999 ; Baird et al., 2012 ; Wernbom et al, 2020 ). Enquanto a perda de força, como já disse, é imediata após a sessão de exercício. Devemos lembrar que a força é produto da integração neuromuscular, de modo que não é somente o músculo que dita a produção de força. E deixo o convite para depois você ler esse meu post aqui , onde mostro como a correlação entre hipertrofia e força é bem mais fraca que a maioria pensa. Nesse sentido, e principalmente amparado pelas evidências supramencionadas, marcadores de lesão celular, como a CK, não são úteis para relacionar desempenho físico a lesões celulares. Fraca correlação entre marcadores séricos e danos do tecido contrátil Ainda mais intrigante é que o aumento sérico ou plasmático de CK não reflete bem a extensão do real dano contrátil. Como eu já disse, o aumento da CK na corrente sanguínea costuma ocorrer só depois de ≈24h ( Warren et al., 1999 ; Baird et al., 2012 ; Wernbom et al, 2020 ). Mas a lógica nos leva a acreditar que as microlesões do tecido contrátil ocorram durante o estresse mecânico do exercício de força. E, de fato, há evidência nesse sentido: medidas celulares feitas com microscopia eletrônica imediatamente após uma sessão de exercício evidenciam microlesões ( Manfredi et al., 1991 ). Ou seja, muito antes do aumento de CK. E não dá para argumentar que esse “atraso” seria devido a uma eventual grande distância entre miócitos e vasos sanguíneos, porque, em média, há mais que 2 capilares tocando cada fibra muscular ( Latroche et al., 2015 ). Trata-se de uma irrigação sanguínea muito extensa no músculo. Manfredi et al. (1991) também mostraram que uma sessão de treino excêntrica intensa gerou muito mais microlesões em pessoas mais velhas, quando comparadas a pessoas mais jovens, mas a resposta e cinética da CK ao longo de 10 dias não teve diferença importante entre mais velhos e jovens. O esperado era que pessoas mais velhas tivessem muito mais CK no sangue, mas os autores não identificaram qualquer relação entre CK e microlesões. Sendo mais pragmático: estudos envolvendo exercício físico e análises histológicas ( Z‑line streaming e outros desarranjos ) ou ensaios bioquímicos mostram resultados discrepantes: em alguns casos a histologia indica dano enquanto a CK sanguínea permanece praticamente inalterada; em outros, a CK aumenta muito, mas sem relação significativa com perda funcional. Isso nos leva a inferir que marcadores bioquímicos são frequentemente não‑específicos e não capturam plenamente a complexidade do dano contrátil. Dissociação temporal entre marcadores de lesão e a decisão prática Vários marcadores, em especial a CK, têm uma janela temporal que pode limitar a decisão prática. A CK tende a atingir o pico entre 1–2 dias após a sessão, ou entre 4-6 dias se o treino for muito volumoso e/ou intenso. Mas não é raro termos clientes que treinam diariamente. Ou seja, nesses casos, a tomada de decisão teria que ocorrer antes da elevação da CK. Então, mesmo se a CK fosse bastante sensível e específca, muitas vezes não daria para depender do resultado dela. Custo, logística e invasividade Coleta de sangue e processamento do material coletado exigem invasividade tecidual ( gera dor ), tempo, cuidado na manipulação e uma infraestrutura que não é baratíssima. Seria inviável para a rotina das academias. Efeito das sessões repetidas e perda de sensibilidade As células musculares se adaptam ( repeated‑bout effect ou efeito das sessões repetidas ) com a repetição do estímulo físico. Após um tempo de treinamento, as respostas de marcadores de lesão, como a CK, tendem a diminuir. Mas, considerando as respostas sensitivas e de desempenho ( já abordadas nos posts anteriores ), a pessoa poderia ter CK normal, mas não necessariamente estaria apta a treinar o músculo novamente. Falta de valores de referência validados para decisões práticas Não existem pontos de corte universalmente validados e aceitos que possam pragmaticamente indicar: ‘não treine hoje’, ou ‘reduza a carga’, ou ‘descanse mais n horas’. Concluindo, ainda não temos marcadores bioquímicos eficientes e com elevado grau de recomendação para o dia a dia de exercícios em ambientes fitness, como academias ou estúdios de musculação. Embora eu dei ênfase a CK, mas essa discussão vale para todos os marcadores bioquímicos estudados até o momento ( exceto se eu tiver perdido alguma coisa ). Diante disso, o melhor a fazer na prática de prescrição do treinamento de força objetivando hipertrofia muscular é considerar os 4 marcadores que citei no post Aprenda a identificar o momento de treinar novamente . O Prof Wellington Lunz recomenda o Instituto Afficerre de Nutrição. Agende sua consulta, mentoria ou consultoria. Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . Meus posts são feitos exclusivamente das minhas leituras, práticas e interpretações ao longo da minha trajetória. E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Devo usar biomarcadores de lesão muscular na MUSCULAÇÃO? . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/biomarcadores-de-lesao-muscular-na-musculação [ Acessado em __.__.____]. Algumas questões e respostas resumidas relacionadas ao esse post : O que é creatina quinase (CK) e para que serve na musculação? A creatina quinase é uma enzima encontrada nos músculos, e seu aumento no sangue indica dano celular. Na musculação, já foi estudada como possível indicador de recuperação, mas não é prática nem confiável para o dia a dia. A creatina quinase indica o momento certo de treinar novamente? Não. A CK varia muito entre pessoas, demora para subir após o treino e tem fraca correlação com perda de força e com o real dano muscular. Quando vale a pena medir CK? Principalmente no diagnóstico de rabdomiólise, uma condição grave que pode causar lesão renal e morte. Quais são os valores de referência da CK? Geralmente até 200 U/L é considerado normal; acima de 2.000 U/L pode indicar miopatia; e acima de 5.000–10.000 U/L sugere rabdomiólise. Casos raros ultrapassam 150.000 U/L. Por que não usar CK para ajustar treinos na academia? Além de não prever bem o desempenho, exige coleta de sangue, tem custo, demanda infraestrutura e não possui valores de corte validados para indicar descanso ou carga. Qual é a melhor forma de decidir quando treinar de novo? Usar marcadores práticos e não invasivos, como os quatro já explicados na série de posts do blog Prof. Wellington Lunz ( clique: Aprenda a identificar o momento de treinar novamente ) Acesse outras postagens do blog : Como emagrecer com musculação? Quais os tipos de hipertrofia? Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- LIVRO (novo): Tomada de Decisão Baseada em Evidência
Resumo : em tempos de tanta desinformação e falsos “especialistas de redes sociais”, o livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência surge como obra indispensável. Ensina a julgar com rigor a qualidade da evidência e o grau de recomendação de artigos científicos. A obra oferece um algoritmo aplicável e uma planilha avaliativa para julgar os 13 critérios associados à qualidade da evidência, os 9 critérios associados ao grau de recomendação, e os 5 critérios (PICOS) para julgar evidências diretas e indiretas. O objetivo do livro é emancipar o leitor para decisões seguras, críticas e fundamentadas, contribuindo, inclusive, para o enfrentamento à má ciência e à desinformação. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Muito feliz em poder entregar esse livro tão necessário. Um livro que se contrapõe à desinformação massiva. Para se tomar decisão baseada em evidência , é fundamental julgar corretamente a qualidade da evidência e a força da recomendação de artigos científicos. Se você é profissional, estudante ( graduação ou pós-graduação ), aspirante a cientista ou gestor na área da saúde, é isso que você aprenderá plenamente com esse livro. Escrito num modelo que chamo de livro-aula: linguagem acessível, didático e com muitos exemplos práticos . Tudo sem prescindir do rigor. Redes sociais têm massificado as desinformações, de modo que a maioria dos usuários já não consegue distinguir o ' real ' do ' falso '. A sensação é de conhecimento censurado e incertezas ampliadas. Vive-se um estado permanente de desconfiança: afinal, o que realmente é verdade? Isso não apenas gera tensão cognitiva, mas aumenta principalmente a chance de tomada de decisão errada ( para si e para outros ), que, na área da saúde, frequentemente produz desfechos trágicos . O atual momento histórico é delicado, porque a ‘estupidez’, que é essencialmente atrevida e orgulhosa, encontrou nas redes sociais uma capilaridade sem precedentes. Enquanto a busca pela verdade exige uma matriz epistêmica bastante desafiadora ( as conclusões ‘ parecem ser, e são; parecem ser, mas não são; parecem não ser, e não são; parecem não ser, mas são’ ), a desinformação não exige qualquer formalidade. Portanto, nesse nosso tempo de desinformação massiva e de tantos falsos ' experts ', distinguir evidências reais das falsas é tanto emancipador quanto vital. E é isso que esse meu livro se propõe a entregar. Sou autor ou co-autor de 12 capítulos de livro, organizei livro acadêmico-científico, contribuí na produção e escrita de vários conhecimentos publicados na forma de artigos científicos e, há alguns anos, estou escrevendo outro livro ( não interprete como propaganda produtivista, pois sou contrário ao produtivismo científico ). Mas tive que pausar praticamente tudo que eu estava fazendo para me dedicar a este livro . Por isso preciso explicar um pouco mais as razões desse livro e de minha satisfação em ter cumprido essa missão: Tomar decisões baseadas em evidências é um princípio básico de cientistas com boa formação. Mas como exigir o mesmo de não cientistas, que representam a inquestionável maioria das pessoas? Essa ( auto )provocação ganha mais relevo diante da expansão e do livre acesso às redes sociais, o que faz com que estudantes e profissionais das diferentes áreas de conhecimento sejam diariamente inundados com uma infinidade de postagens com qualidade muito duvidosa. E há outra coisa que aumenta nosso estado de alerta: tem se confirmado a hipótese de que modelos de linguagem de grande escala ( inteligências artificiais; IAs ), podem causar atrofia e dívida cognitiva ( Kosmyna et al., 2025 ). Muitas dessas quase ilimitadas postagens nas redes são de autointitulados especialistas ( ou ‘ influencers' ), que frequentemente elaboram conclusões "definitivas" a partir de, quando muito, um único e mal interpretado artigo científico. Livro : Tomada de decisão baseada em evidência: como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área da saúde. Autor: Wellington Lunz. Clique no banner para saber mais. Mas como saber se o(s) artigo(s) citado(s) tem boa qualidade metodológica? Como saber se o delineamento permite conclusões do tipo causa-efeito? Como saber se os resultados são ( e se devem ser ) aplicáveis? Que garantia temos de que modelos de IA possam substituir um julgamento que frequentemente é particular e situacional? E ainda que pudessem, qual é o custo de terceirizar a cognição? Embora a base do conhecimento acadêmico dos cursos de graduação seja científica, precisamos reconhecer que muito raramente o método científico é ensinado e praticado dedicadamente nos cursos de graduação. Em virtude disso, o mais habitual é que os(as) egressos(as) de cursos superiores saibam como aplicar o que aprenderam, mas não estejam suficientemente emancipados para os desafios que exigem tomadas de decisões fundamentadas no conhecimento científico. Temos também que reconhecer nossa incapacidade histórica de controlar rigorosamente revistas e artigos de má qualidade. Afinal, se todos os artigos e revistas científicas fossem confiáveis, teríamos problemas menores com as redes sociais. A realidade é que há um volume gigantesco de má ciência e má conduta científica, que não se restringe às pseudociências. Para confrontar esse atual cenário de tanta informação duvidosa e desinformação ( que sempre é intencional ), o fundamental é aprender sobre o que qualifica o conhecimento científico e o que legitima a aplicação desse conhecimento. Existem várias proposições sobre como julgar a qualidade da evidência científica e, em menor número, sobre como julgar o grau ou a força de recomendação . A maioria dessas proposições se restringe à validade interna ( mais associada à qualidade metodológica ). Quando a proposta também considera a validade externa ( relacionada à generalização dos resultados ), geralmente é no sentido de auxiliar cientistas a produzirem diretrizes a partir de muitos artigos temáticos ( ex: sistema GRADE ). Ou seja, não é para o público ‘não cientista’. Uma motivação adicional para eu me dedicar vários meses na escrita desse livro é minha percepção de que falta orientação aos que não têm vivência científica ( e ninguém é obrigado a ter, exceto os próprios cientistas ) sobre como julgar a qualidade e o grau de recomendação de artigos científicos. Sejam artigos citados em redes sociais ou acessados diretamente. Portanto, o objetivo desse livro é contribuir para qualificar estudantes, profissionais sem formação científica e aspirantes a cientistas a julgarem melhor a qualidade da evidência e o grau de recomendação de artigos científicos originais, para, assim, tomarem melhores decisões. Uma consequência natural será o desenvolvimento de uma maior capacidade crítica para discernir os conteúdos massivos das redes sociais. Neste livro, você aprenderá a: 1) Identificar os elementos fundamentais da questão do estudo, os quais permitem certificar se a evidência é direta ou indireta . Para essa identificação, utilizamos o acrônimo PICOS [ P = participantes; I = intervenção; C = comparação; O = outcome (desfecho); S = study (estudo ou delineamento )] ( obs: há variações justificáveis desse modelo, como o PICOT ). 2) Aprenderá os 13 principais quesitos que impactam na qualidade da evidência , os quais serão identificados e julgados. A saber: grupo controle; randomização; evidência direta; cegagem e alocação; consistência do método e dos resultados; controle de variáveis de confusão; duração; omissões; precisão da medida; probabilidades de erros; conflito de interesses; perda amostral; prevenção de outros vieses . 3) Aprenderá os 9 principais quesitos que impactam no grau ou força de recomendação , os quais serão identificados e julgados. A saber: tamanho do efeito ( considerando seu IC95% ); magnitude absoluta do efeito; qualidade da evidência; vantagens/desvantagens ( relevância; economia; tempo; segurança; viabilidade; preferências ) . Além de conhecimentos complementares, como os critérios de Hill e o quadrante de Pasteur, você ainda terá acesso a uma planilha autoexplicativa e editável ( software Excel ), que o(a) permitirá dar nota objetiva , com representação gráfica do resultado, associada a uma avaliação qualitativa ( muito baixo, baixo, moderado, alto e muito alto ). Essa planilha também será útil como checklist dos quesitos que devem ser julgados. O conteúdo desse livro, bem como sua planilha, foi rigorosamente fundamentado em várias proposições de amplo uso e reconhecimento científico, com destaque ao GRADE Working Group , a Cochrane , a escala de Jadad , a lista de Delphi , a escala PEDro , ao índice de Oxman e Guyatt e a lista de verificação Downs & Black , com adaptações que consideraram à minha vivência e experiência de quase 25 anos no mundo científico. Para o âmbito especificamente clínico, a U.S. Preventive Services Task Force e a Oxford Centre for Evidence-Based Medicine ( Howick et al., 2011 ) oferecem ferramentas adicionais, embora eu as tenha usado menos nesse livro. Saiba mais desse livro na landing page hospedada no meu site: https://www.wellingtonlunz.com.br/livro-tomada-de-decisao-baseada-em-evidencia . Mapa Mental dos Conteúdos Estruturais do Livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência Para ser acessível, me propus a fazer um livro independente de editoras. Nesses últimos anos, tenho me dedicado mais em fazer a ponte entre cientistas ( produtores de conhecimento baseados em fatos da realidade ) e profissionais ( aplicadores indispensáveis do conhecimento ). Esse livro é o resultado de mais um esforço nesse sentido. Finalizando : adquira o seu ( clique aqui para saber mais ), pois tenho certeza de que esse livro preencherá eventuais lacunas da formação de base, elevando e emancipando sua capacidade de tomar decisões mais precisas e eficientes. Os principais benefícios são: (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica. (2) Maior segurança nas intervenções ( pessoais e profissionais ). (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares. (4) Maior poder de enfrentamento aos desinformadores de redes sociais ( e de outros ambientes ). (5) Maior reconhecimento dos pares, clientes e pacientes. A propósito, escrevi um post recentemente mostrando a importância desse meu livro e de como usá-lo na prática: Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos . Vale muito a pena ler para entender como esse livro te ajudará na sua prática de tomada de decisão. Qualquer dúvida basta fazer contato pelo meu site ( https://www.wellingtonlunz.com.br ) ou pela própria landing page . Pode ser via formulário de contato ou pelo botão WhatsApp. Esteja à vontade e ótima leitura! Autor : Prof. Wellington Lunz é professor há mais de 16 anos na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado principalmente em transmitir conhecimentos baseados em evidências em nas áreas do conhecimento de suas formações. É Bacharel e Licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Acesse meu Lattes . E-mail: welunz@gmail.com.br
- Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos
Resumo : a polilaminina ganhou manchetes como sugestiva cura para paraplegia e tetraplegia. Mas os estudos publicados até o momento NÃO permitem afirmar isso. O nível de evidência é muito baixo. Neste post usei os melhores critérios científicos para julgar a qualidade das evidências disponíveis e a força da recomendação. Se você deseja prática baseada em evidências e quer entender como julgar a qualidade científica de pesquisas em saúde, este post é para você. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) A ‘hype do momento’ é a polilaminina ( biomaterial sintético produzido a partir de uma proteína extraída da placenta ). Em vários jornais ( e nas redes sociais ) foi veiculado uma sugestiva cura de lesões medulares severas promovidas pela polilaminina. A notícia sensacional ( ou, talvez, sensacionalista? ) alcançou muitos milhões. Veja algumas manchetes: “ Medicamento inédito devolve movimento a pacientes com lesão na medula ( CNN brasil )”. “ Polilaminina: como estudo da UFRJ devolveu movimentos de pacientes ( VEJA )”. “ Polilaminina: remédio brasileiro regenera lesão na medula ( Folha de São Paulo )”. Como se percebe pelas manchetes, os resultados prometem reversão de lesão medular gravíssima. Isso, em sendo verdade, é coisa para prêmio Nobel. Obviamente que, como todo mundo, vibrei lendo as notícias. Principalmente porque o achado está vinculado à ciência universitária brasileira ( que habitualmente é bastante séria ). Mas, após eu ler algumas reportagens, inclusive assistir à pesquisadora responsável ( Tatiana Coelho‐Sampaio ) comunicando achados das suas pesquisas, me dei conta de que não citavam as publicações com as tais evidências . Buscando um pouco mais, descobri que o único artigo com humanos foi o seguinte: RETURN OF VOLUNTARY MOTOR CONTRACTION AFTER COMPLETE SPINAL CORD INJURY: A PILOT HUMAN STUDY ON POLYLAMININ E aí começaram minhas preocupações. E, também, foi quando tive que começar a 'recalibrar' minha expectativa. O artigo não foi publicado numa revista peer review ( revisão por pares; ou especialistas ). Foi publicado numa base preprint . Numa plataforma chamada medRxiv. Isso, por si só, não permite afirmar que o artigo seja ruim. Há muitos cientistas que publicam seus trabalhos primeiro numa base preprint , seja para registrar a produção, ou para antecipar a entrega dos conhecimentos descobertos. É uma coisa boa, se a intenção também for. Mas, diante disso, tive que tirar as ferramentas da bolsa para investigar melhor. Recentemente lancei o livro ‘ Tomada de Decisão Baseada em Evidência : como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde ’. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Nesse livro, eu ensino a como julgar a qualidade da evidência e o grau de recomendação de artigos científicos na área da saúde. Como meu livro se sustenta em requisitos formais, fundamentados nas principais ferramentas internacionais de julgamento, ele permite julgar qualquer artigo da área da saúde . Aliás, na página 189 do livro, eu criei um script para ser usado no ChatGPT ( testei apenas nessa IA ), de modo a auxiliar no julgamento. Não recomendo o uso da IA sempre, e nem cegamente. Mas ela pode ajudar nas seguintes situações: (1) artigos sobre assuntos que temos menos domínio ( como é o caso aqu i). (2) como checklist , evitando que esqueçamos de julgar algo importante. (3) como forma de confrontar com nosso próprio julgamento. Então, para sondar, inicialmente usei esse script . E a nota que foi dada ao artigo da polilaminina, publicado como preprint , me assustou. Veja o resumo do julgamento: Nível de evidência ( 0 a 100 ): Nota = 29; Classificação = baixa ( 21–40% ). Grau de recomendação ( 0 a 100 ): Nota = 53 ; classificação = moderada ( 41–60% ). OBS: O ChatGPT, baseado nos critérios do meu livro, explica detalhadamente as razões dos escores. Depois fui confirmando item a item e fazendo meu próprio julgamento, que ficou assim: Nível de evidência ( 0–100 ): Nota = 22; Classificação = baixa ( 21–40% ). Grau de recomendação ( 0 a 100 ): Nota = 75; Classificação: Alta ( 61–80% ). O resultado do Nível de Evidência NÃO está alinhado às manchetes jornalísticas. E, até onde acompanhei, não percebi os responsáveis pela pesquisa empenhados em reduzir essa euforia transmitida pelos jornais. E é isso que mais me preocupa aqui. A seguir, vou justificar minhas notas, aproveitando para te mostrar como usar meu livro no julgamento da evidência e da recomendação. E você vai aprender na prática a importância dessa emancipação intelectual. Eu, por exemplo, tenho uma filha com lesão medular. Então, é um tema que mexe muito comigo. Mas é essa minha emancipação cognitiva que diminui bastante a chance de eu ser iludido ou financeiramente enganado. Vamos lá: 1. Grupo controle (0–10): trata-se de um estudo single-arm ( braço único ). Ou seja: não houve grupo controle. E assim não é possível discernir o que é efeito da intervenção ou da recuperação espontânea. Os pesquisadores aplicaram polilaminina em 8 pacientes com "completa" lesão medular aguda ( 48–72 h ) pós-trauma. Essa avaliação foi funcional, e não anatômica. Ou seja, não dá para afirmar que houve perda total da conexão nervosa. Vale lembrar, e os autores não omitem isso, que na literatura científica está documentado que em torno de 15% a 20% de pacientes nessa condição voltam a ter movimentos de forma espontânea. É uma recuperação tempo dependente. Não depende de fármaco. O que os pesquisadores mostraram foi que 6 de 8 pacientes apresentaram retorno de contração motora voluntária já no primeiro mês. Como isso é bem superior à recuperação espontânea esperada ( ~15 a 20% ), eles acreditam que há efeito da polilaminina. Mas, além do risco de ser algo casual, dado que a amostra é muito pequena, tem o fato de não ter havido cegamento dos envolvidos. Isso aumenta muito o risco de viés de expectativa e de aferição ( tudo isso eu ensino no meu livro ). Portanto, a nota nesse quesito é 0. 2. Randomização (0–10) : dado o tipo de estudo, não houve randomização. Isso, somado ao não cegamento e ao não segredo de alocação, aumenta muito o viés de seleção. Exemplo: pessoas com perfil de maior chance de recuperação poderiam ser selecionadas para o estudo ( conscientemente ou não ). Portanto, a nota nesse quesito é 0. 3. Evidência direta (0–10): parece que o desfecho principal ( retorno de contração motora voluntária ) é considerado medida ‘ direta ’ para a questão clínica ( lesão medular grave ). Porém, não estou convencido de que seja suficiente. Afinal, 15% a 20% tendem a se recuperar espontaneamente, apesar de receberem diagnóstico de paraplegia ou tetraplegia no pós-trauma agudo. Edema, compressão, bloqueios de condução, hemorragia, isquemia e choque medular, são alguns fatores que podem mascarar fibras preservadas. Eu cito em aula um caso de uma moça que ficou tetraplégica após um grave acidente na academia de musculação, e que, com tempo e estímulo, voltou à vida normal. Foram anos, mas voltou! Sem medicamento. Minha filha tem lesão medular ( nasceu com mielomeningocele ). Até os 4 anos de vida, só engatinhava. Hoje, com 9 anos, tem marcha quase normal. Não teve medicação. Apenas estímulo motor ao longo dos anos. Minha nota nesse quesito é 5. 4. Cegagem e segredo de alocação (0–10): foi um estudo aberto. Ou seja, sem segredo de alocação e sem cegamento de avaliadores/analistas. Semana passada, dei uma palestra onde destaquei, com vários exemplos, o porquê considero o cegamento como um dos itens mais fundamentais da qualidade da evidência. Isso obviamente também está explicado no meu livro. Portanto, a nota nesse quesito é 0. 5. Consistência do método e dos resultados (0–10): entre os sobreviventes avaliados ( 6 sobreviventes; 2, infelizmente, morreram ) tiveram maior ou menor recuperação motora. Isso sugere consistência. Mas, dada a amostra tão pequena, fico na dúvida do quanto de viés pode ter nessa “consistência”. Mas darei nota 7. 6. Controle de variáveis de confusão (0–10): o fato de não ter grupo controle, e nem controle robusto de outras variáveis importantes ( ex: gravidade da lesão, cuidados concomitantes, comorbidades ), me obriga a reduzir a nota. Portanto, minha nota nesse quesito é 5. 7. Duração (0–10): essa é um pouco mais difícil para eu julgar, pois não sei exatamente qual seria o tempo razoável ( não é minha área ). Mas, segundo a IA ( ChatGPT ), para recuperação neurológica, seguimentos mais longos seriam necessários para avaliar a manutenção do efeito. A IA recomendou nota 3. Vou aceitar, pois não sei julgar melhor aqui. 8. Omissões (0–5) : o preprint descreve método e achados, mas, apesar da minha dificuldade com o tópico, senti falta de detalhes relacionados aos critérios completos de inclusão/exclusão ( será que não houve seleção dos pacientes? ) e controle estrito de cuidados concomitantes. Mas darei nota 4 ( máximo seria 5 ). 9. Precisão da medida (0–5): ‘retorno de contração voluntária’ claramente é muito relevante, mas não estou convencido de que a forma mensurada ( ex.: escala de atividade motora, avaliação por eletromiografia ) permita afirmar que houve regeneração de fibras nervosas. A IA recomendou nota 2. Vou aceitar também, pois eu, no momento, não poderia julgar melhor. 10. Probabilidades de erros (0–5): amostra muito pequena. Nem relataram os tipos de erros. Mas certamente há grande risco de imprecisão estatística. Nem teve análise estatística inferencial. Darei nota 1. 11. Conflito de interesses (0–5): Aqui temos um problema muito sério. A pesquisadora principal, Tatiana Coelho-Sampaio, é consultora da farmacêutica Cristália, que é a financiadora do estudo. Em outro artigo da pesquisadora Tatiana Coelho-Sampaio, ela declara que detém participação financeira na ‘ Tatiana Sampaio Serviços de Biologia e Pesquisa Científica Eireli’ . Ou seja, ela tem uma empresa própria relacionada à pesquisa biológica. Aqui aproveito para contar uma história: Em 2022, a farmacêutica Cristália, fez um post no seu site com o título: ‘ A fábrica de neurônios da Cristália ’. O dono da farmacêutica admitiu na ocasião muito entusiasmo pela polilaminina, e de já ter investido 100 milhões de reais nas pesquisas com isso. Depois eu volto a isso, mas, sinceramente, essa ‘fábrica de neurônios’ que o post diz, eu não vi em nenhuma pesquisa. Não sei de onde tiraram isso. A Cristália é uma farmacêutica que faturou alguns bilhões na pandemia, em grande parte inflado pelo ineficaz ‘kit-Covid’, que continha cloroquina e ivermectina. Me pergunto: um empresário com ~85 anos de vida, que dedica 100 milhões em pesquisas, muito entusiasmado em entregar um “milagre” para o mundo, quão disposto estaria em tentar acelerar os resultados? Quanto estaria disposto a pagar à empresa da pesquisadora Tatiana para apresentar resultados de interesse? IMPORTANTE : são apenas questionamentos. Não estou acusando. Aliás, como um estudo preprint desses ganhou essa ‘hype’ toda? A gente sabe que é bem comum propagandas disfarçadas de reportagens. Fico me questionando se essa hype não veio disso: propaganda disfarçada de reportagem. Enfim, a nota aqui é zero (0), e ficou barato! 12. Perda amostral (0–5) : havia 8 incluídos; 2 morreram ( relacionados à gravidade da condição ). Com a morte desses 2, pode-se ter perdido os casos mais severos. Fica a preocupação do quanto isso enviesou os resultados. Mas essas perdas não foram culpa dos pesquisadores. Minha nota é 3. 13. Prevenção de outros vieses (0–5) : já vimos que a falta de cegamento, de grupo controle, de randomização e potencial conflito de interesse são suficientes para enviesar muito o estudo. Também vejo o risco de uma publicação acelerada numa base preprint , seguida por “reportagens” sobre isso. Não tenho como dar nota boa aqui. Darei 1. E aqui devo registrar que o estudo é do tipo série de caso. Ou seja, um estudo que fica na base da pirâmide científica ( e isso não é bom ), que não permite fazer relação causa-efeito , como aquelas sugeridas pelas manchetes de jornais que destaquei no início. Portanto, um estudo metodologicamente fraco. Por isso, eu propus, no meu livro, multiplicar a nota da evidência por um fator de 0,7 para esse tipo de delineamento chamado de série de casos ( explico tudo no livro ). Com isso, minha nota para o Nível de Evidência ficou em 21,7 ( podemos arredondar par 22 ). Em resumo: Nível de evidência baixo , com delineamento série de casos, o que não permite afirmar relação causa-efeito . Estudo metodologicamente frágil. Insuficiente para afirmar eficácia com confiança. Importante : torço verdadeiramente muito para que a polilaminina possa fazer esse “milagre” todo. Seria incrível para a ciência brasileira. Por eu ter uma filha com lesão medular, estou entre os mais interessados. Mas o julgamento que estou fazendo aqui é técnico e científico. Além disso, não é impossível que os pesquisadores estejam cautelosos em publicarem achados mais robustos. Isso seria compreensível num ambiente em que a propriedade intelectual poderia ser "roubada". Há muitos casos na história da ciência. Portanto, embora eu mantenha a esperança, o julgamento que faço aqui é ( reforço ) técnico-científico, baseado nas evidências apresentadas até o momento. Mas não acabou! Agora vamos rapidamente julgar o grau de recomendação: 1. Tamanho do efeito (0–10) : não houve exatamente a apresentação do TE, mas 75% de recuperação de pessoas recuperadas é ( se for verdade ) muito relevante, em comparação à expectativa histórica, de ≈15% a 20%. Dou nota máxima (10). 2. Magnitude absoluta do efeito (0–10): se uma única pessoa conseguisse, em virtude desse tratamento, sair de uma condição de enorme incapacidade para uma vida plena, já seria uma grande magnitude. Então, nota 10. 3. Qualidade da evidência (0–10): como o nível de Evidência foi de 22 pontos, transformamos isso na escala de 10 ( 22/10 = 2,2 ). A nota é 2,2. 4. Relevância (0–10): o problema é indiscutivelmente relevante. Nota 10. 5. Economia (0–10) : o custo e a acessibilidade do tratamento com a polilaminina ainda não dá para saber. A AI diz que a produção e logística podem ser onerosas, porque é um bioproduto derivado de matriz extracelular. Além disso, quem dedica mais 100 milhões nisso, vai querer retorno financeiro. Creio que não será barato o tratamento. Darei nota intermediária (nota 5), dada a dificuldade de graduar 6. Tempo (0–10): me parece bem adequado. Nota: 10. 7. Viabilidade (0–10): precisará obviamente de infraestrutura e médicos especializados. Embora o custo ainda seja uma incógnita, não acredito que seria inviável. Nota: 8 8. Preferências (0–10): acho muito improvável um paciente com lesão medular grave não desejar o tratamento. Nota: 10 9. Segurança (0–20): preocupações de segurança foram reportadas no preprint ( 25% com eventos cardiovasculares/neurológicos/hematológicos; relatos de úlceras de pele; 2 mortes ). Mas, dado que não houve grupo controle, não dá para saber quanto disso se deve ou não à polilaminina. Darei nota intermediária: 10 Somando tudo, minha nota para o grau de recomendação foi de 75,2 ( em 100 ). Isso equivale à classificação ‘ alto grau de recomendação ’. Foi bem maior que a sugerida pela IA. Esse valor de ‘grau de recomendação’ é indicativo de que vale a pena continuar as pesquisas sobre a polilaminina. Isso porque a hipotética vantagem supera as desvantagens. Obviamente, exigem-se estudos mais robustos, principalmente conduzidos por grupos de pesquisas independentes do atual laboratório de pesquisa ( que tem conflitos de interesse ). Mas, dado o baixo nível de evidência, é um balde de água fria no nosso entusiasmo. Houve ( e ainda está havendo ) uma hype exageradíssima. Suspeito muito de que essa hype foi iniciada com muita grana da farmacêutica. Vale muito a pena reportar aqui que busquei outros artigos da pesquisadora Tatiana Coelho‐Sampaio, e não vi nenhum outro com evidência direta . Há estudos com células, com cachorros e ratos. O estudo com cães ( A laminin-based therapy for dogs with chronic spinal cord injury: promising results of a longitudinal trial ) também teve amostra pequena, não teve grupo controle e os resultados da escala de marcha apresentaram magnitude bem pequena. O artigo que vi mais sugestivo foi publicado em 2010 ( Polylaminin, a polymeric form of laminin, promotes regeneration after spinal cord injury ), feito com ratos. Os resultados foram melhores. Houve até sugestão de alguma regeneração de neurônios. Mas nem esse e nem os outros estudos que acessei mostram a tal ‘fábrica de neurônios’ sugerida pela farmacêutica. Nada a ver! Não tive tempo de olhar todos os artigos da pesquisadora principal. Vi todos os publicados nos últimos 5 anos, e não vi nada ainda de evidência direta, e nem mesmo resultados pré-clínicos que pudessem motivar tanto entusiasmo. Posso dizer que essas reportagens dizendo que a ‘polilaminina curou paraplegia’ são, do ponto de vista científico, absolutamente absurdas diante das evidências que foram tornadas públicas. E, se você chegou até aqui, é porque se preocupa com prática baseada em evidência. O livro que acabei de lançar ( clique aqui ou banner abaixo ) vai te ensinar esse passo a passo. Todos os quesitos apresentados são capítulos densamente explicados no livro. Há muitos exemplos práticos. Então, adquira o seu e aproveite esse conhecimento emancipador. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/polilaminina-nao-cura-paraplegicos-ou-tetraplegicos . [Acessado em __.__.____]. Acesse outras postagens do blog : Como emagrecer com musculação? Quais os tipos de hipertrofia? Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Os Critérios de Hill e a Prática Baseada em Evidência
Resumo : nem toda associação significa causa e efeito. Para diferenciar coincidência de causalidade, Austin Bradford Hill propôs, em 1965, critérios que orientam até hoje a interpretação de estudos observacionais. Entre os mais importantes estão: força da associação, consistência, gradiente dose-resposta, temporalidade e experimento. Esses princípios evidenciam que mesmo um estudo observacional pode permitir inferir causalidade — se houver rigor metodológico. Se você deseja julgar evidências corretamente, esse post é para você. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) O delineamento padrão-ouro para inferências causa-efeito na área da saúde é o chamado Estudo Clínico Randomizado ( ECR ) . Os estudos observacionais, que são vários ( ex: coortes, caso-controle, transversal, caso e série de casos, ecológico ), possuem diferentes níveis de qualidade, de modo que, geralmente, não permitem inferência causa-efeito. Mas será que podemos ter confiança de que uma associação observada seja realmente causal em estudos observacionais? Foi para responder a essa pergunta que o famoso epidemiologista britânico Austin Bradford Hill propôs, em 1965, critérios para permitir inferência de causalidade em estudos observacionais. Hoje são conhecidos como ‘Critérios de Hill’. Quem foi Austin Bradford Hill? Um dos epidemiologistas mais influentes do século 20. Embora não fosse médico, mas estatístico, seus trabalhos revolucionaram a compreensão da relação entre cigarros e câncer de pulmão. E, obviamente, impactaram profundamente a saúde pública mundial. É difícil estimar, mas certamente os trabalhos pioneiros de Hill e seu colega Richard Doll, salvaram milhões de pessoas. Doll e Hill e o Caso da Associação Cigarro-Câncer O estudo clássico de Richard Doll e Austin B. Hill, publicado em 1956, foi um marco para a ciência. Usando um delineamento de coorte, os pesquisadores acompanharam médicos britânicos e demonstraram uma associação muito forte e progressiva entre o número de cigarros fumados por dia e a mortalidade por câncer de pulmão. A diferença de risco entre os maiores fumantes e os não fumantes foi de cerca de 23 vezes — um resultado tão expressivo que, mesmo sendo um estudo observacional, deixava pouca margem para dúvidas sobre a relação causal. Na época, o lobby da indústria do cigarro era muito intenso, inclusive com médicos e cientistas cooptados pelo mercado do cigarro. E, apesar dessa forte associação cigarro-câncer, Doll e Hill tiveram seu estudo criticado por ser observacional. Mas Hill sabia que um experimento controlado e randomizado seria antiético. Como intervir dando cigarros a um grupo de pessoas sabendo dos riscos? Hill já compreendia os riscos, principalmente porque um estudo caso-controle anterior, dele e seu colega Richard Doll, já sugeria tal associação. Era, então, necessário defender um método para julgar a causalidade também a partir de estudos observacionais. Os Critérios de Hill: Por Que Foram Propostos? Em uma palestra à Royal Society of Medicine , Hill apresentou 9 critérios que ajudariam a distinguir uma mera associação de uma relação de causa e efeito. Ele deixou claro que esses critérios não eram um checklist rígido, mas um conjunto de diretrizes para orientar o julgamento científico. A proposta surgiu dessa necessidade de conferir solidez a inferências feitas a partir de estudos que não podiam ser experimentais — como os que envolvem fatores de risco como fumo, poluição, drogas, e muitos outros. Os Critérios Mais Relevantes No meu livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência : como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde , eu destaco os principais 5 critérios de Hill, pois, os demais, julgo como não convincentes. Então, os 5 que considero mais importantes são: Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz 1. Força da Associação : quando o risco relativo ou odds ratio é muito alto ( como no caso do cigarro e câncer ), é pouco provável que a associação seja explicada por vieses ou fatores de confusão. 2. Consistência : resultados semelhantes observados em diferentes populações, por diferentes pesquisadores, fortalecem a hipótese causal. 3. Gradiente Dose-Resposta : quando o efeito aumenta conforme a exposição aumenta ( ex: mais cigarros = mais risco de câncer ). 4. Temporalidade : A causa sempre antecede o efeito. Esse é o único critério considerado estritamente necessário, e faz com que nem todos os estudos observacionais permitam inferir causa-efeito. Mas uma coorte, como a feita por Doll e Hill, pode permitir essa temporalidade. 5. Experimento ( ou série temporal interrompida ): quando a remoção ou redução da exposição reduz o efeito ( ex: queda nas taxas de câncer após a redução do tabagismo ). Se aproxima da ideia de ‘série temporal interrompida’ ( ex: redução de mortalidade em acidente de trânsito após obrigatoriedade do uso de cinto de segurança ). Conclusão: A Importância de Julgar com Critério Os critérios de Hill ainda são bastante considerados. Embora o delineamento ECR seja o padrão-ouro, nem todos têm qualidade suficiente, e nem sempre é possível usar esse delineamento. Por outro lado, estudos observacionais, como as coortes e os casos-controle, dependendo do rigor, podem até superar a qualidade de muitos ECRs. Ter essa compreensão é fundamental para julgar corretamente a qualidade da evidência. Se você quer aprender a avaliar criticamente artigos científicos — sejam eles experimentais ou observacionais — e tomar decisões melhores na sua prática profissional, convido você a conhecer meu livro: 📖 " Tomada de Decisão Baseada em Evidência : como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde " Não deixe que opiniões sem fundamento ou estudos mal interpretados influenciem suas decisões. Conhecimento científico exige qualidade metodológica, e esse meu livro irá ajudá-lo/a nesse domínio. Recentemente escrevi um post mostrando a importância desse meu livro e de como usá-lo na prática. Vale a pena ler para entender como esse livro lhe ajudará: Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos . Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Os Critérios de Hill e a Prática Baseada em Evidência . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/os-criterios-de-hill-e-o-julgamento-da-evidencia [Acessado em __.__.____]. Acesse outras postagens do blog : BIMAGRUMAB: medicamento para obesidade que reduz GORDURA e aumenta MASSA MAGRA MTor e HMB: A PROMÍSCUA relação entre farmacêuticas e médicos(as) Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégico s Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Como Treinar Com Eficiência? Treinar Muito Não É Treinar Certo
Resumo : no treinamento para o ganho de massa muscular (hipertrofia muscular), resultado NADA diz sobre eficiência. O processo sim! Treinar com eficiência significa equilibrar segurança, economia e tempo, evitando excessos, riscos e desperdícios. Duas pessoas podem alcançar a mesma hipertrofia desejada em tempos muito diferentes, com custos financeiros e riscos à saúde diferentes. E a ciência serve principalmente para isso: resultado com EFICIÊNCIA. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Muitos pensam que um treinamento físico eficiente é aquele que gera o resultado desejado. Mas essa é uma visão simplista e equivocada. Para facilitar a compreensão, começo com uma analogia: Imagine dois turistas recém-chegados a Salvador ( Bahia ). Por acaso, eles começam a conversar. Uma pergunta básica de quem percebe que o outro não é soteropolitano é: De onde você é? Por coincidência, ambos respondem ser de Vitória-ES ( onde moro atualmente ). Alegres com a casualidade, perguntam reciprocamente: Como você veio de Vitória para cá? Um deles responde: “Vim de avião comercial.” E o outro: “Vim de bicicleta.” Sim, você leu certo: de bicicleta! São cerca de 1.200 km. De carro, a viagem duraria algo em torno de 17 a 18 horas. De bicicleta, seriam necessários alguns dias. E não só isso: o ciclista gastaria muito mais dinheiro com hospedagens em hotéis e alimentação frequente em restaurantes; há, ainda, enorme desgaste físico, insegurança de viajar sozinho e longa exposição ao sol. Já o avião deve resolver tudo em cerca de 3 horas ( contando embarque e desembarque ), com custo físico quase nulo. O valor da passagem pode variar, mas, em geral, ida e volta custariam menos do que o somatório das diárias de hotel e refeições de uma viagem de bicicleta. Em termos de segurança, a probabilidade de queda de avião é ínfima: algo entre 0,000001 e 0,000002. Ou seja: ambos chegaram ao mesmo destino: o resultado é igual. Mas quanto ao processo? Muito diferente. Custos relacionados ao tempo, dinheiro e segurança não foram nada semelhantes. É justamente aqui que devemos refletir sobre eficiência . Na minha área de estudo ( especialmente hipertrofia e força muscular ), uma das maiores limitações cognitivas que encontro em quem fala de treinamento físico para hipertrofia muscular ( seja entusiasta ou profissional ) é acreditar que 'resultado' é prova de eficiência. Mostrar os músculos hipertrofiados não revela o processo! Onde o treino deixa de ser eficiente? Conheço muitos entusiastas e até profissionais que: exageram no volume de treino. gastam fortunas em suplementos inúteis ou anabolizantes perigosos ( às vezes até falsificados ). se lesionam com frequência. passam horas na academia todos os dias. Outro erro comum é seguir cegamente influencers marombas , na esperança ( e toda esperança é medo, como bem nos ensinou Baruch Spinoza ) de que copiar seu treino vai gerar mais hipertrofia. Mas, para a maioria desses seguidores, a pergunta que sempre tenho vontade de fazer é: Por que não está funcionando com você ? E, sobre essa questão, nem estou considerando a eficiência. Só a ausência de resultado mesmo. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Conceituando eficiência Depois de tudo isso, acho que é uma boa hora de conceituar eficiência : ‘ Eficiência é alcançar um dado objetivo com o máximo de segurança e economia, no menor tempo possível ’. É verdade que os conceitos de eficiência e eficácia ( que não são o mesmo ) variam entre diferentes áreas. Mas, no treinamento para hipertrofia muscular e força, penso que essa definição é bem adequada. Aliás, é muito similar ao conceito de método científico. Veja como Marconi & Lakatos (2017) definem: “ Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo de produzir conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientist a”. Voltando à analogia Eu dei o exemplo de ir de bicicleta, mas podemos ir para Salvador de várias formas: a pé, a cavalo, de motocicleta, de carro ( com diferentes potências ), de caiaque, canoa, barco, lancha, navio, helicópteros e aviões de diferentes modelos, entre outros. Da mesma forma, no treinamento para hipertrofia, típico da musculação, podemos chegar ao resultado de muitas formas. Mas “chegar ao resultado” não basta. É preciso considerar segurança , tempo e economia . Claro que alguém pode ir de bicicleta porque gosta da experiência, da aventura, ou porque tem medo de avião, etc. Nenhum problema! Se isso não causa qualquer mal social ou jurídico, não é nem antiético e nem ilegal. Assim como uma pessoa pode alcançar o resultado hipertrófico fazendo coisas que ferem a segurança ( ex: erro de progressão de carga, treinos hipervolumétricos, drogas anabólicas, etc. ), ferem a economia ( ex: gastar uma fortuna em suplementos que servem para nada, comprar equipamentos caros, treinar em academias caras, etc. ) e ferem o tempo ( ex: treinar várias horas, treinar com excessiva frequência, etc ). A propósito, sobre gastar uma fortuna em suplementos inúteis, sugiro dois posts meus: Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada MTor e HMB: A PROMÍSCUA relação entre farmacêuticas e médicos(as) Conclusão Quando escrevo ou dou aula sobre treinamento para hipertrofia muscular, seja aqui no meu Blog, na Universidade que trabalho, e no livro que estou escrevendo ( embora reflexivo sobre se vale a pena insistir na tarefa ) de hipertrofia muscular, meu foco sempre é o treinamento com eficiência . Ou seja: Não considero só o desfecho. Considero também o processo. E estou convencido de que o maior valor da ciência não é sobre gerar novos conhecimentos, mas sobretudo gerar resultados viáveis , equilibrando segurança, economia e tempo. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Aproveitando, também escrevi alguns posts sobre como treinar com eficiência focando especificamente no componente tempo: aqui , aqui e aqui ( leia nessa ordem ). Não podemos esquecer que a falta de tempo é uma das principais barreiras para a prática de exercícios. Por isso o treinamento ' time-efficiency based ' é bastante útil. Mas treinar com eficiência não é simples. É como equilibrar três pratos na mesma balança: segurança, economia e tempo. Se pesar demais de um lado, os outros desequilibram. Para ficar num único exemplo: ‘Quem tenta atingir um objetivo muito rapidamente, pode acabar prejudicando a segurança e/ou economia’. Se você quer aprender a treinar com eficiência, explore as mais de cem postagens já disponíveis aqui no meu Blog e inscreva-se na Newsletter para receber os novos conteúdos. Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . Meus posts são feitos exclusivamente das minhas leituras, práticas e interpretações ao longo da minha trajetória. Reforçando: se quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Como Treinar Com Eficiência? Treinar Muito Não É Treinar Certo . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/como-treinar-com-eficiencia [ Acessado em __.__.____]. Acesse outras postagens do blog : Como emagrecer com musculação? Quais os tipos de hipertrofia? Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Como NÃO ser Enganado nas REDES SOCIAIS (e na vida)? Use a Ciência
Resumo : veja como uma história sugestivamente real, envolvendo uma médica que usa um argumento descontextualizado para criticar o cinto de segurança, ilustra como “verdades fatiadas” não podem existir. São aberrações. A partir de uma matriz epistêmica (tabela 2×2) mostro como eu faço (e recomendo) para não ser enganado nas redes sociais e na vida como um todo. Antes de acreditar ou compartilhar no que está vendo, cheque essa matriz. A conclusão depende de quatro quadrantes. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Veja que história inacreditável : “Uma moça, numa dada rede social, disse que sua mãe não queria mais dirigir automóvel usando cinto de segurança. Segundo ela, a mãe argumenta que o cinto não protege contra mortes. Mas o pior vem agora: A moça disse que a mãe é médica socorrista! Sim, uma médica, possivelmente do SAMU ou serviço privado similar, que atende acidentados de automóveis. O argumento da médica era que a maioria das pessoas que morria em acidente automobilístico estava usando cinto de segurança". Mas são por coisas como essas que digo que ‘ verdades descontextualizadas são mentiras ’. Diferentes de alguns, interpreto que ‘ tudo que mal informa, desinforma ’. Para resolver esse caso ( bem como os casos de pessoas que negam vacina, ou negam entrar em ambulância, ou defendem remédios ineficazes, etc. ) recomendo usar uma ferramenta científica simples, mas poderosa. Eu a chamo de matriz epistêmica . Para chegar nela, preciso contextualizar. É algo quase filosófico ( há quem diga que surgiu realmente na filosofia ). Para qualquer interpretação ou afirmação há 4 conclusões possíveis. As coisas: ‘ Parecem ser, e são ’; ‘ parecem ser, mas não são ’; ‘ parecem não ser, e não são ’; ‘ parecem não ser, mas são ’. Portanto, duas verdadeiras e duas falsas . Suponha uma mulher na dúvida se está ou não grávida. Ela compra um desses exames de farmácia. Quais os resultados possíveis? Antes, devemos lembrar que todo exame tem margem de erro. Então, podemos demonstrar: ‘O resultado do exame pode dar positivo para gravidez, e de fato ser verdade ( verdadeiro positivo - VP ); pode dar positivo , mas não ser verdade ( falso positivo - FP ); pode dar negativo , e de fato ela não estar grávida ( verdadeiro negativo - VN ); e pode dar negativo , mas ela estar grávida ( falso negativo - FN ). VP = verdadeiro positivo; VN = verdadeiro negativo; FP = falso positivo; FN = falso negativo Voltemos agora ao caso do cinto de segurança. Para além do fato da nossa personagem médica estar concluindo com base numa associação transversal ( o que jamais deve ser feito ), ela certamente está olhando essa matriz de forma fragmentada. Fiz algumas buscas e estimei o número de mortes e não mortes ( em 100 mil ) de pessoas que sofreram acidentes automobilísticos. Repare os dados da figura abaixo. Se olharmos esses dados dessa forma ( fragmentados ), poderíamos concluir como a médica. Veja que temos 950 casos de mortes em pessoas que usavam cinto, contra 150 mortes para os que não usavam cinto. Isso dá 6,33 vezes mais mortes para usuários de cinto. Isso é uma informação. E informação não é conhecimento. A informação até pode estar correta, mas não existe verdade fragmentada. Você conhece alguém que teve meio filho? Ou teve um quinto de filho? Verdade é mais ou menos assim: ' não existe verdade fatiada '. Todo fragmento de verdade enviesa a interpretação. Veja agora como fica a interpretação com as informações completas: O número de pessoas que sobrevive também é muito maior para usuários de cinto. Dos que usavam cinto, somente 1% de mortes, contra 3% de mortes para não usuários de cinto. Isso dá um risco relativo ( RR ) e uma razão de chances ( odds ratio; OR ) 3 vezes maior de morte para não usuários de cinto. Essa matriz epistêmica, também chamada na epidemiologia de tabela de contingência ou tabela 2x2, permite calcular muitas coisas. No exemplo que dei sobre o ‘teste de farmácia’ para gravidez, essa matriz permite calcular o desempenho do teste com as métricas conhecidas como sensibilidade , especificidade e eficácia. Me lembro quando surgiram os testes para covid-19, a primeira coisa que fiz foi analisar a sensibilidade , especificidade e eficácia dos testes. E não eram muito convincentes. Permite ainda calcular conhecimentos fundamentais para a tomada de decisão, como o risco relativo e a razão de chances ( úteis ao nível populacional ), e valores preditivos positivo e negativo , e razão de verossimilhança positiva e negativa ( muito importantes no nível individual; ex: paciente ). E o que isso nos ensina sobre redes sociais? Se você pensar no instagram, por exemplo, perceberá que cada post retangular ( feed, stories ou reels ) apresenta uma informação fragmentada em quase 100% das vezes. Cobre somente um ou dois quadrantes dessa matriz epistêmica. Mas, como já disse, a verdade exige dados completos e contextualizados. Essa história do cinto de segurança também se aplica aos casos de pessoas que: negam vacina porque conhecem algumas pessoas que morreram mesmo estando vacinadas; afirmam jamais entrar em ambulância porque conhecem pessoas que morreram dentro de ambulâncias; defendem remédio ineficaz porque conhecem quem sobreviveu a uma doença após tomá-lo; deslegitima um remédio eficaz porque conhece quem morreu após tomá-lo. Acho que já deu para entender, né? Exemplos não faltam. Conclusão Nas redes sociais e na vida, use essa matriz epistêmica para julgar adequadamente. De agora em diante, sempre que você vir um post no instagram, lembre-se: há 4 conclusões possíveis . E essa conclusão não pode ser só sua. Afinal, você pode achar que algo é verdade ( e pode acertar ou errar ), mas outra pessoa pode achar que essa mesma coisa não é verdade ( e pode acertar ou errar ). E se você quer aprender densamente a como usar a Ciência a seu favor, considere meu livro ‘ Tomada de Decisão Baseada em Evidência: Como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde ’. Eu fiz um post mostrando a importância e como aplicar os conhecimentos do meu livro ( passo a passo ): Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos . Vale a pena ler para entender como esse livro ajudará você nas tomadas de decisões. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . Meus posts são feitos exclusivamente das minhas leituras, práticas e interpretações ao longo da minha trajetória. E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Como NÃO ser Enganado nas REDES SOCIAIS (e na vida)? Use a Ciência . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/como-nao-ser-enganado [ Acessado em __.__.____]. Acesse outras postagens do blog : Quais os tipos de hipertrofia? MTor e HMB: A PROMÍSCUA relação entre farmacêuticas e médicos(as) . Lamento, mas SUPLEMENTOS servem para praticamente nada. Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Há Uma Ciência Melhor? Entenda o Quadrante de Pasteur
Resumo : o Quadrante de Pasteur , proposto por Donald Stokes em 1997, rompeu a clássica divisão entre ciência pura e aplicada. Em vez de separar a busca pelo conhecimento fundamental da resolução de problemas práticos, Stokes mostrou que ambas podem coexistir. Inspirado em Louis Pasteur — cujas descobertas uniram teoria e aplicação —, o modelo propõe quatro quadrantes: o de Bohr (ciência pura), o de Edison (ciência aplicada), o de Pasteur (ciência básica inspirada pelo uso) e um quadrante sem nome (pesquisas de baixo impacto). Este post discute o valor dessa proposta. Prof. Dr. Wellington Lunz Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) Ao longo da história, a ciência ( natural ) foi fatiada em duas: a pura ( ou básica ) e a aplicada . E, convenhamos, quase sempre uma ‘divisão’ tem como causa uma competição interna. A consequente divisão, por sua vez, tende a reforçar a competição e polarização. Mas, Donald Stokes , em seu clássico livro O Quadrante de Pasteur , publicado em 1997, buscou desconstruir essa história. Ele buscou romper a visão tradicional que separava a ciência pura da ciência aplicada. Apresentou fortes argumentos contra a dicotomia que separava a ciência em pesquisa básica ( que busca a compreensão dos fenômenos ) e pesquisa aplicada ( que foca em resolver problemas práticos ). Apontou ser possível avançar no conhecimento fundamental e, ao mesmo tempo, oferecer soluções práticas para a sociedade. Não existe uma real separação! Não há uma ciência mais ou menos nobre! Tudo está interligado! E é daí que nasceu o Quadrante de Pasteur — inspirado em Louis Pasteur, cujos estudos revolucionaram o conhecimento na microbiologia e deram origem a vacinas que salvaram milhões de vidas. Entenda: Stokes propôs um modelo em quadrantes, que está na página 118 de seu livro ( versão brasileira ), onde o quadrante de Pasteur, sem diminuir a importância e conexão com os demais quadrantes, seria o mais destacável, porque é um tipo de pesquisa que busca tanto o avanço do conhecimento elementar quanto a aplicação prática. Stokes dividiu a pesquisa científica em quatro categorias: 1) Quadrante de Bohr ( ciência pura ): pesquisas que se preocupam fundamentalmente com o conhecimento do fenômeno, sem preocupação com aplicação imediata ( ex: física teórica de Niels Bohr ). 2) Quadrante de Edison ( ciência aplicada ): foca na aplicação direta do conhecimento, mas sem preocupação com o avanço do conhecimento ( ex: inovações de Thomas Edison ). 3) Quadrante de Pasteur ( ciência básica inspirada pelo uso ): une o avanço do conhecimento com a aplicação ou resolução de problemas práticos e reais ( ex: os estudos de Pasteur sobre microbiologia e vacinas ). 4) Quadrante não nomeado ( pesquisas de baixo impacto ): estudos sem relevância associada ao conhecimento e à aplicação. Trata-se de um tipo de produção que não promove avanços relevantes no conhecimento e na resolução de problemas reais. O quadrante de Pasteur é certamente muito inspirador. Nos eleva enquanto conhecedores daquilo que aplicamos, e nos permite aplicar o conhecimento na resolução de problemas práticos. Mas isso não significa reduzir a importância dos demais quadrantes ( inclusive o ‘sem nome’ ), pois tudo está conectado. Sem a ciência pura, quase certamente não teríamos hoje a revolução do magnetismo, da eletricidade, do uso da energia nuclear, do laser, do DNA e PCR, entre tantos outros. Sem esse tipo de pesquisa, certamente o quadrante 2 ficaria sem substrato. Thomas Edison, por exemplo, acompanhava com bastante atenção a produção do conhecimento científico envolvendo eletricidade. Isso vale também para o genial Nikola Tesla, que revolucionou o mundo com "sua" corrente alternada. Mesmo o quadrante 4 ( sem nome ) é importante: com exceção dos gênios, certamente a maioria dos grandes cientistas “estagiou” nesse quadrante. Richard Feynman ( Nobel ) foi um fervoroso defensor do 'errar' como processo de formação científica. Errar ou produzir coisas menores são necessários para o avanço científico. Mas o(a) profissional ( não o cientista ), que precisa tomar decisão prática, necessita de conhecimentos que realmente ofereçam solução real ( seja relevante ). E isso impõe a necessidade de considerar várias coisas, como grande magnitude de efeito , alto quociente vantagem/desvantagem ou benefício/risc o, custo econômico, tempo , viabilidade e preferências . Muitas vezes temos estudos com elevado nível de evidência, mas pequena magnitude de efeito real ou nenhuma viabilidade de aplicação. Por isso, não se pode julgar artigos científicos sem considerar a força da recomendação. No meu livro mais recente (...): Tomada de Decisão Baseada em Evidência : como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde (...) você aprenderá a distinguir nível de evidência da força de recomendação . Aprenderá, assim, tomar melhores decisões . Recentemente escrevi um post mostrando a importância desse meu livro e de como usá-lo na prática. Vale a pena ler para entender a aplicação desse livro no processo de tomada de decisão: Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos . Não deixe que opiniões sem fundamento ou estudos mal interpretados influenciem suas decisões. Conhecimento científico exige qualidade metodológica, e esse meu livro irá ajudá-lo/a nesse domínio. Clique no banner abaixo, que você será guiado/a para a landing page do livro. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Então é isso, amiga e amigo... Obrigado por ler até aqui. E se você gostou, compartilhe com colegas e amigos/as ou em suas redes sociais . E quem quiser receber as novas postagens deste Blog, basta clicar aqui para se inscrever na Newsletter . Lunz, W. Há Uma Ciência Melhor? Entenda o Quadrante de Pasteur . Ano: 2025. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/qual-a-melhor-ciencia [Acessado em __.__.____]. Acesse outras postagens do blog : BIMAGRUMAB: medicamento para obesidade que reduz GORDURA e aumenta MASSA MAGRA MTor e HMB: A PROMÍSCUA relação entre farmacêuticas e médicos(as) Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégico s Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Tem se dedicado em transmitir conhecimentos baseados em evidências em diferentes áreas do conhecimento (ex: hipertrofia muscular, treinamento de força, musculação, fisiologia do exercício, flexibilidade). É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Atualmente é Professor Associado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Contato pelo site ou e-mail: welunz@gmail.com.br
- Teste Funcional Para Idosos: Conheça o 'five-repetition Chair Stand'
Prof. Dr. Wellington Lunz - Universidade Federal do Espírito Santo O teste Five-Repetition Chair Stand ( Levantar e Sentar 5 Vezes da Cadeira ) é um teste amplamente usado e de fácil aplicação. Aplica-se assim: A partir da posição sentada em uma cadeira sem braços e com encosto reto ( por segurança, a cadeira deve estar encostada numa parede ), a pessoa deverá fazer cinco repetições de levantar e sentar na cadeira. Os braços estarão cruzados a frente do corpo, de modo que não possa usá-los para auxiliar no movimento. Deve-se solicitar que a pessoa faça o teste o mais rápido possível. O resultado será o tempo total. E, claro, quanto menor esse tempo, melhor! Há vários outros testes para se avaliar a funcionalidade de pessoas idosas. Recomendo a leitura do meu post Quais os Testes para Avaliação Funcional de Idosos? para conhecer outros. Importante : não adianta usar testes sem saber a qualidade dos trabalhos científicos que os sustentam. Por isso o/a convido para conhecer meu livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência : Como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde . Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz Autor : Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br . Doutor em Ciências Fisiológicas. Professor Associado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desde 2009. Contato pelo site, e-mail: welunz@gmail.com.br
- Teste Funcional Para Idosos: Conheça o Timed Up and Go
Prof. Dr. Wellington Lunz - Universidade Federal do Espírito Santo O teste Timed Up and Go ( Tarefa Cronometrada ) é um dos testes mais usados para avaliar a funcionalidade física de idosos. Simples, fácil e validado. Veja como executar: A partir da posição sentada em uma cadeira, dê um comando para a pessoa que está sendo avaliada levantar e caminhar um trajeto de 3 metros, virar, voltar e sentar-se novamente. A pessoa deve realizar o teste uma vez para se familiarizar, e depois realizar mais duas tentativas. O resultado será o tempo médio das duas últimas tentativas. Deve-se também estar atento as características cinemáticas ( ex: padrão da execução ) de modo que consiga avaliar a autonomia dessa tarefa. OBS: A pessoa não pode correr, e quanto menor for o tempo, melhor! É interessante destacar que resultados piores nesse teste associam-se com maior risco de queda. Em um estudo realizado por Alexandre et al (2012) com pessoas acima de 60 anos, o melhor ponto de corte para prever quedas foi no tempo de 12.47 segundos ( sensibilidade = 74% e especificidade = 66% ). Há outras indicações de ponto de corte para idosos acima de 65 anos, como: <20 segundos = pequeno risco de quedas; 20-30 segundos = risco moderado de quedas; ≥ 30 segundos = alto risco de queda ( veja em Costa et al., 2011 ). Como quedas são muito debilitantes e com forte associação com mortalidade nos 5 anos seguintes a queda, enquanto intervenções preventivas são relativamente simples, me parece mais sensato usar o ponto de corte menor ( ex: 12.47 s; proposto por Alexandre e Cols ). Assim, já se inicia intervenções ( ex: treinamento físico, reestruturação do espaço doméstico ) que possam diminuir a chance de quedas. Importante : não adianta usar testes sem saber a qualidade dos trabalhos científicos que os sustentam. Por isso o/a convido a conhecer meu livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência : Como julgar o nível de confiança e o grau de recomendação de artigos científicos na área das ciências da saúde. Clique aqui e conheça meu novo livro . Benefícios : (1) Maior autonomia e competência no julgamento da evidência científica; (2) Maior segurança nas decisões pessoais e profissionais; (3) Maior poder contributivo para equipes multidisciplinares; (4) Maior valorização dos pares, clientes e pacientes. Prof. Dr. Wellington Lunz E h á vários outros testes para se avaliar a funcionalidade de pessoas idosas. Recomendo a leitura do meu post Quais os Testes para Avaliação Funcional de Idosos? para conhecer outro s. Autor: Wellington Lunz é Doutor em Ciências Fisiológicas e Professor Associado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desde 2009. Contato pelo site, e-mail: welunz@gmail.com.br










