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Não Jogue Seu Dinheiro no MTor (ou LIXO)

  • Foto do escritor: Blog Prof. Wellington Lunz
    Blog Prof. Wellington Lunz
  • 27 de fev. de 2024
  • 7 min de leitura

Atualizado: 17 de dez. de 2025

Resumo: vejo muitos gastando fortunas com suplementos inúteis, como o MTor (uma fraude). Uma consulta com uma/um nutricionista experiente poderia evitar esse desperdício e trazer resultados reais. O desperdício com suplementos pode ser "eterno", enquanto com nutricionistas não. Em tempos de desinformação, é fundamental valorizar aqueles/as com milhares de horas de estudos e práticas, e não com milhares de curtidas ou milhões de reais investidos em marketing.



Prof. Dr. Wellington Lunz - Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Quanto custa uma consulta nutricional?” Eu poderia fazer a mesma pergunta para qualquer outra profissão, mas hoje minha história tem a ver com ‘nutricionista’. E com tomada de decisão inteligente. E, calma, que você já vai entender a relação com o suplemento MTor.

A resposta que costumamos dar a essa pergunta (Quanto custa uma consulta nutricional?) é de que não é um custo, mas ‘investimento’ à saúde. Mas de tanto respondermos que é investimento, as pessoas já colocaram esse conselho no escopo das coisas que não ecoam mais nas dobras corticais do cérebro.

Acho até que já nem ouvem mais. É o tipo de conselho que entra por um lado do meato acústico de uma orelha, e sai pelo outro, sem vibrar o trio ‘martelo, bigorna e estribo’.

Mas a história de hoje é para mostrar que, além de investimento, é também ‘economia’.

Vejo com tristeza o tanto de gente torrando milhares de reais em suplementos que valem NADA. Depois leia meu post Hipertrofia: Lamento, Mas SUPLEMENTOS Servem Para Praticamente Nada. Vamos à história. E será rápido, prometo.

Recentemente eu fiz um post sobre a promíscua relação entre farmacêuticas e médicos (esse); na ocasião, dei ênfase à sacanagem do HMB glamourizado na forma de uma caixinha azul chamada MTor.

Depois dedique uns minutos na leitura (link), pois poderá salvar uma grana sua, de amigos ou de familiares. É o post mais lido aqui do blog, e o qual recebo mais agradecimentos.

Primeiro devo advertir que não generalizarei o/a nutricionista, assim como eu não generalizo profissionais de outras profissões. Vou falar especificamente de quem tem formação sólida, experiência e ética. Acho que o post do MTor é um bom exemplo do que eu quero dizer.

Por preocupações éticas, também não darei informações que permitam identificar as personagens da história. Vamos lá!

Uma nutricionista muito experiente em casos clínicos (entre outras coisas) foi recentemente fazer um atendimento domiciliar. Tratava-se de uma senhora bastante idosa e debilitada pelo impiedoso tempo.

Um caso de desnutrição causado por dificuldades relacionadas à incapacidade motora do ato de mastigar. O ideal, claro, seria que a família tivesse procurado a nutricionista antes; mas, nesse caso, talvez a família tenha sido desorientada.  

A nutricionista investigava o histórico clínico da idosa, quando a família apresentou a ela a prescrição de um suplemento que havia recebido de um médico. Agora adivinhe qual era o suplemento?

Simmmm, o MTor. Caso você não seja alguém que me acompanhe por aqui, não deixe de ler o MTor e HMB: A PROMÍSCUA relação entre farmacêuticas e médicos(as). Sabe quanto pagaram em uma caixinha? 

Aproximadamente 300 reais. E estava prescrito para a família comprar mais uma caixa. Seriam 600 reais no LIXO. E, certamente, iriam continuar comprando pelo resto da vida, porque se o corpo melhorasse, iriam julgar que o foi devido ao Mtor; e se não melhorasse, iriam achar que não foi suficiente. A ilusão é o principal motor da economia.

Não sei exatamente qual é o valor da prestação de serviço da nutricionista desta história, mas tenho certeza de que se a família a tivesse chamado antes de comprar o primeiro MTor, só o dinheiro economizado teria pagado com sobras o atendimento nutricional.

E, para além da economia, teriam ganhado os benefícios das orientações práticas e nutricionais, que são feitas a partir de cálculos delimitados pelo conhecimento científico acumulado, o que teria ajudado a postergar ou evitar aquele tipo de deterioração da saúde da idosa.

E toda vez que eu vejo coisas como essas eu fico muito triste, porque poderiam ser evitadas. Seria também mais barato.

Vejo tanta gente me falando que usa isso ou aquilo porque viu um influencer no Instagram ou no YouTube, cuja “certificação” profissional de maior peso é ter muitos milhares ou milhões de seguidores. E qual é a relação entre número de seguidores e qualidade profissional?

Por exemplo, tem crescido muito o número de influencers criados por inteligência artificial. São personagens fictícios, mas que acumulam muitos milhares de seguidores. Um caso famoso é o perfil Emily Pellegrini.

Uma “modelo” criada por inteligência artificial, que após 4 meses de criada já acumulava mais de 200 mil seguidores. Recomendo a leitura dessa reportagem aqui. E seu criador tem lucrado com a invenção.

Há inclusive um "suplemento" formulado por IA, chamado peptistrong, que promete milagres, cujos artigos produzidos até então foram feitos por funcionários da fabricante ou por gente bem paga para isso.

E qual funcionário ou beneficiado por muito dinheiro jogará contra sua fonte financeira? Em resumo: nunca considere estudos com esse nível de conflito de interesses.

Mas fica claro que para ter seguidores basta entregar o que a audiência quer. E se a maioria da audiência quisesse conhecimentos elaborados, quase todos os programas de TV e vídeos do YouTube já teriam sido sepultados.

Claro, sempre há exceções. Mas considero quase impossível eu me tornar um influencer. Por exemplo, eu insisto com os meus e minhas estudantes que NÃO estou na Universidade para entregar o que eles querem, mas sim o que eles precisam. Senão era só rolar a bola, aumentar a área do gol e retirar o goleiro da frente.

O caso Emily é apenas um de muitos. E talvez seja o caso menos ruim, pois pior mesmo são os perfis reais com formação real na área (ou coisa parecida), mas que não passam de vendedores de ilusão ou de esperança.

Devo alertar que a esperança NÃO é a última que morre. A esperança é frequentemente aquilo que NÃO nos deixa morrer. Há prova científica disso. Entretanto, essa característica da esperança pode ser usada para o mal. Veja:

Temos na história da humanidade crimes de dimensões sociais inimagináveis (ex: holocausto) e crimes circunscritos a um pequeno território (ex: maníaco do parque do Ibirapuera) em que os criminosos instrumentalizaram a esperança (pela liberdade) para conter a revolta das vítimas.

Estou dando exemplos de crueldades terríveis de relembrar, mas é no sentido de evidenciar como a esperança pode ser usada de má-fé. No âmbito comercial, vender esperança funciona sempre para o vendedor.

Em vez de muitos milhares de seguidores, eu prefiro quem tenha muitas milhares de horas de estudo e vivência real bem calibrada pela jornada da vida. E esse post é um registro prático do porquê é melhor essa preferência.

Um parênteses: após eu ter publicado este post, uma pessoa fez contato por e-mail e relatou o seguinte (só retirei o que é necessário para garantir o anomimato dela):

Boa noite! Estou, surpresa, com o conteudo que li! Uso o MTOR , há mais de 1 ano. Muito caro, e, não vi, ainda, nenhuma melhora. fui diagnosticada, em 2021, com osteoporose severa (...). Estava, consultando preço mais acessivel do MTOr e, ainda, não comprei, ao ler, essa mensagem (...) Deus abencoe !!!

Eu dei algumas orientações para ela. E apesar da tristeza de eu ter visto mais essa covardia, pois o HMB não tem relação com massa óssea (mesmo se tivesse, dá para comprar por 30 reais; não precisa pagar 300), fico mais confortável em saber que esse post possa impedir que o suado dinheiro dessa pessoa abasteça bilionários despudorados.

 nutricionistas com experiência em diferentes especialidades
O Prof Wellington Lunz apoia e recomenda o Instituto Afficere. Agende sua consulta nutricional.

E, para concluir, se você deseja aprender a julgar a qualidade metodológica de artigos científicos e a força da recomendação dos resultados, apresento meu livro:

Em tempos de desinformação massiva e de tantos falsos experts, distinguir evidências reais das falsas é tanto emancipador quanto vital. Esse livro ensina a julgar a qualidade da evidência e a força da recomendação de qualquer artigo científico da área da saúde.

O livro oferece um sistema estruturado e didático, com:

Livro Tomada de Decisão Baseada em Evidência - Wellington Lunz

Modelo de Julgamento: um sistema quantitativo de notas (0 a 100%) em paralelo a um sistema qualitativo (muito baixo, baixo, moderado, alto e muito alto).

Separação Estruturada: um framework claro para avaliar o nível de evidência com base em 13 quesitos metodológicos, e o grau de recomendação com base em 9 quesitos formais.

Ferramenta Prática (Checklist/Planilha): O conteúdo está associado a uma planilha gratuita que orienta no julgamento da qualidade da evidência e na força da recomendação (e ainda serve como checklist).

Script para Inteligência Artificial: fiz um script para a IA ChatGPT poder julgar o nível de evidência e o grau de recomendação. Embora a IA não deva substituir o julgamento humano final, ela facilita a compreensão e diminui a chance de erro humano, pois o script foi projetada para que a IA explique a razão das notas dadas a cada quesito.

E se você quiser ver o uso prático, passo a passo, da aplicação do meu livro, acesse o post: Polilaminina: NÃO há Evidência de Cura de Paraplégicos ou Tetraplégicos. A polilaminina envonvel outra história para ficar bem de olho.

Acesse https://www.wellingtonlunz.com.br/blog para mais posts. Você também pode se inscrever na Newsletter para receber novos posts.

E se quiser citar essa postagem, pode ser mais ou menos assim:

Lunz, W. Não jogue seu dinheiro no MTor (LIXO). Ano: 2024. Link: https://www.wellingtonlunz.com.br/post/para-que-serve-o-mtor [Acessado em __.__.____].


professor wellington lunz

Autor: Wellington Lunz é o proprietário desse Blog e do site www.wellingtonlunz.com.br. É bacharel e licenciado em Educação Física, Mestre em Ciência da Nutrição e Doutor em Ciências Fisiológicas. Professor da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desde 2009.   





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